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Auditorias revelam segredo oculto em fundos bilionários sob investigação da PF

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Auditorias realizadas sobre fundos geridos pela Reag Investimentos, uma gestora localizada na Faria Lima e alvo de uma operação contra um suposto esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontam que há uma caixa-preta nas informações de alguns desses investimentos.

Com R$ 299 bilhões sob sua administração, a Reag foi um dos 350 alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto. Nas investigações, a empresa aparece como administradora de fundos utilizados para ocultar recursos da empresária da Copape, formuladora de combustíveis, e da distribuidora Aster, ambas suspeitas de sonegar R$ 7,6 bilhões e de ligação com a facção criminosa.

Os investigadores afirmam que, contrariando a natureza comum dos fundos, muitos apresentam cotistas exclusivos, frequentemente outros fundos, criando camadas sobrepostas que dificultam ou impedem a identificação do beneficiário final.

Alguns desses fundos, normalmente usados para valorizar investimentos, aparentam servir para blindar patrimônio ilícito do PCC. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o objetivo principal dessas operações não era a valorização do capital, mas proteger o patrimônio contra execuções fiscais e ocultar a origem ilegal dos recursos.

O Metrópoles analisou fundos geridos pela Reag, incluindo alguns sem ligação com a operação, que vão desde fundos relacionados a empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, como OAS, até investimentos ligados ao filho do empresário Eike Batista e à Arena Corinthians. Muitas auditorias são inconclusivas devido à falta de documentos e informações, indicando opacidade em vários fundos.

Há diversos casos em que os auditores declaram omissão de opinião pela ausência de informações confiáveis, frequentemente pertencentes a apenas uma empresa.

Fundo Botafogo de Eike Batista

No bairro de Ipanema, Rio de Janeiro, está sediada a NB4 Participações S.A., alvo dos investimentos do Fundo Botafogo, gerido pela Reag, com patrimônio de R$ 226 milhões. A NB4 é central em disputas judiciais entre o empresário Eike Batista e credores de suas empresas falidas.

Antigo homem mais rico do Brasil, Eike acumulou fortuna explorando mineração, petróleo e energia, mas teve seu império desmoronado a partir de 2013, culminando em prisão em 2017 no âmbito da Operação Lava Jato. Seu patrimônio caiu de US$ 34 bilhões em 2012 para hoje R$ 4 bilhões em dívidas com a União.

Dirigida por seu filho Thor e ex-sócios, a NB4 detém debêntures multimilionárias e recebe aportes do Fundo Botafogo, que por sua vez recebe investimentos de um fundo homônimo, formando uma estrutura de três camadas descrita como um dinheiro “escondido” do empresário.

Eike afirmou ao Metrópoles que todos os ativos do fundo foram arrestados pelas falências das empresas MMX Sudeste e Rio, negando blindagem patrimonial e destacando litígios judiciais envolvendo os direitos de voto, em ação movida por fundo ligado ao BTG que ele colaborou para investigar.

Um relatório recente de auditoria independente do Fundo Botafogo aponta a impossibilidade de análise da empresa por falta de documentação que comprove a participação do fundo na NB4 e ausência de demonstrações financeiras da companhia. Assim, não foi possível obter evidências suficientes sobre o valor do investimento e possíveis ajustes nas demonstrações financeiras em 28 de fevereiro de 2025.

Posição da Reag Investimentos

A Reag Investimentos S.A. divulgou nota afirmando que sempre atuou com diligência ao longo de sua história e manifestou surpresa com as alegações envolvendo a empresa na Operação Carbono Oculto.

A empresa rejeita veementemente qualquer envolvimento em estruturas ilegais, atuando conforme as normas do mercado financeiro e de capitais. Ela esclareceu que vários fundos citados na operação nunca foram administrados por ela. Nos casos em que prestou serviço, sua condução sempre foi ética e profissional, e os fundos foram em muitos casos renunciados ou liquidados meses atrás.

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