Economia
Aumento de até 3,81% nos preços de remédios previsto para abril
Os valores máximos dos medicamentos no Brasil poderão crescer até 3,81% a partir de abril de 2026, conforme projeção do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).
Toda a regulamentação anual é feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que estabelece três índices distintos para grupos baseados no nível de concorrência com os genéricos. Contudo, o impacto direto para o consumidor pode não ser imediato.
Atualmente, o mercado brasileiro conta com cerca de 13 mil medicamentos registrados. O grupo com maior concorrência, denominado nível 1, deverá ter alta de 3,81% nos preços máximos, representando 7,8% dos remédios disponíveis.
O nível intermediário terá reajuste estimado em 2,47%, abrangendo 15% dos medicamentos. Já a categoria com menor concorrência poderá ter aumento máximo de 1,13% nos preços e é responsável por quase 80% do total (77,2%). Os consumidores podem consultar a classificação do seu medicamento no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Reajuste médio ponderado
Para o Sindusfarma, o aumento médio ponderado pelo faturamento será de 1,95%, o menor reajuste dos últimos dez anos.
Os índices oficiais devem ser publicados pela CMED até o dia 31 de março no Diário Oficial da União, e passarão a valer a partir de 1º de abril. Até o fechamento desta matéria, ainda não havia confirmação oficial.
A fórmula usada pela CMED, vinculada à Anvisa, considera além da concorrência, fatores como a inflação acumulada nos últimos 12 meses, produtividade do setor (fator X), câmbio e custos de energia elétrica.
Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, explica que o índice base é o IPCA, que de março de 2025 a fevereiro de 2026 foi de 3,81%, com fatores redutores aplicados conforme o nível de concorrência dos medicamentos.
Segundo ele, reajustes não ocorrem automaticamente após a autorização, especialmente porque muitos produtos com menor concorrência são fornecidos pelo governo e protegidos por contratos e patentes complexas. Para medicamentos com muitos genéricos, a indústria pode optar não aplicar o aumento.
Em 2025, o reajuste médio autorizado foi de 3,83%, com percentuais distintos para cada categoria: 5,06%, 3,83% e 2,60%, todos superiores aos previstos para o próximo ano.
Reajuste nem sempre é repassado integralmente
Mesmo com o aumento autorizado, as farmácias e drogarias não são obrigadas a repassar integralmente o reajuste nas etiquetas de preço. A Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) esclarece que cada estabelecimento define sua estratégia comercial.
O estoque atual permite que muitas redes segurem os aumentos temporariamente, permitindo que consumidores aproveitem para antecipar compras, especialmente de remédios de uso contínuo.
Por exemplo, um medicamento com preço máximo autorizado de R$ 50 que subir para até R$ 51,90 pode continuar sendo vendido por R$ 51, conforme decisão da farmácia. Por outro lado, consumidores podem sentir um impacto maior se o medicamento era vendido por menos que o limite anterior e a farmácia elevar o preço até próximo do novo teto.
Dayanna Palmer, especialista médica da Afya, destaca que o impacto real para o consumidor varia, pois o preço final é resultado de estratégias comerciais como descontos, promoções e acordos, e não apenas do teto definido pela CMED.
Como economizar diante dos aumentos
- Prefira genéricos ou biossimilares, que podem custar até 80% menos que os medicamentos de referência.
- Aproveite o programa Farmácia Popular, que oferece gratuitamente vários medicamentos essenciais mediante apresentação de receita e documento de identidade nas farmácias credenciadas.
- Busque assistência farmacêutica gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS).
- Informe-se sobre programas de desconto oferecidos por farmácias e parcerias com planos de saúde ou laboratórios.
- Negocie descontos diretamente no balcão, conversando com o gerente e comparando preços.
- Pesquise preços em canais variados, incluindo online, telefone e aplicativos, que podem oferecer condições especiais.


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