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Economia

Banco Central liquida oito instituições financeiras do grupo Master

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O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira a liquidação de mais duas instituições financeiras vinculadas ao grupo do Banco Master. Com a inclusão do Banco Pleno e da Pleno DTVM, de Augusto Lima, ex-sócio do banco, a autoridade reguladora chega a um total de oito empresas do sistema financeiro relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro que foram liquidadas.

O Banco Pleno e a Pleno DTVM foram transferidos no segundo semestre do ano passado para Augusto Lima, que havia sido sócio de Daniel Vorcaro desde 2019 no Banco Master.

Augusto Lima deixou a sociedade no Banco Master no ano anterior e assumiu o controle do banco Voiter, que fazia parte do grupo. Após a mudança, renomeou a instituição como Banco Pleno e realizou dois aportes de capital que somam R$ 160 milhões.

A defesa dele optou por não se pronunciar sobre o assunto até o momento.

O Banco Pleno assumiu uma carteira de CDBs no valor aproximado de R$ 6 bilhões originários do Banco Master, e tentou desenvolver uma carteira de crédito. Contudo, não conseguiu captar recursos suficientes nem vender ativos em quantidade necessária para manter suas operações regulares.

Em razão disso, a instituição passou a enfrentar dificuldades para honrar seus compromissos financeiros, incluindo o pagamento dos CDBs herdados do Master, além dos empréstimos constituídos.

Desde novembro de 2025, o Banco Central tem conduzido a desestruturação progressiva do conglomerado liderado por Daniel Vorcaro, após detectar insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio ao sistema financeiro.

Na fase inicial, em novembro de 2025, foram liquidadas as principais entidades do grupo: Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank (atual BlueBank) e a corretora vinculada ao grupo. Em janeiro de 2026, a intervenção foi ampliada para incluir a CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do esquema para ocultar prejuízos. Posteriormente, em 21 de janeiro, também foi decretada a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após a tentativa frustrada de venda e o bloqueio das operações com cartões Mastercard.

Essas medidas levaram o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a ser acionado para ressarcir os investidores que possuem produtos protegidos, como CDBs, LCIs e LCAs, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, e um teto global de R$ 1 milhão. Este caso se tornou o maior acionamento da história do fundo, com cerca de R$ 41 bilhões destinados aos pagamentos.

Além disso, em janeiro, a Justiça acatou o pedido de recuperação judicial de duas empresas do Grupo Fictor, que tentou adquirir o Banco Master em novembro passado. As dívidas dessas companhias somam R$ 4,2 bilhões.

O Grupo Fictor apresentou proposta para comprar o Banco Master e investir R$ 3 bilhões na instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a empresa, essa movimentação provocou a retirada em massa dos fundos de seus clientes, gerando uma crise de liquidez que resultou no pedido de recuperação judicial.

Em janeiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões em bens da Fictor, valor relativo à garantia de um contrato de operações de cartão de crédito que não estava sendo cumprido. Outros R$ 500 mil foram bloqueados em fevereiro, referentes a um contrato para investimentos em ativos do agronegócio oferecido pela Fictor.

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