Economia
Banco do Brasil registra queda histórica no lucro devido à crise do agronegócio
Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, explicou que o expressivo recuo no lucro da instituição em 2025 está relacionado ao aumento significativo da inadimplência no setor agropecuário, que chegou a níveis aproximadamente 500% maiores que a média histórica. Essa declaração foi feita durante a coletiva de imprensa para apresentação dos resultados do banco em São Paulo.
O ano de 2025 foi especialmente desafiador, com uma redução significativa no resultado comparado ao ano anterior, que havia registrado o maior lucro da história do banco. O desempenho atípico do setor agroimpactou diretamente esse resultado, registrando uma inadimplência muito superior ao padrão observado nos anos anteriores.
O Banco do Brasil finalizou 2025 com um lucro de R$ 20,7 bilhões, diminuindo 45,4% em relação a 2024, marcando o pior desempenho desde 2020. Para 2026, a expectativa é de recuperação, com previsão de crescimento de 16% no lucro.
No último trimestre do ano, o lucro foi de R$ 5,7 bilhões, uma queda de 40,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A margem financeira bruta alcançou R$ 27,8 bilhões, um aumento de 3,8% em 12 meses. As receitas de operações de crédito cresceram 27,6%, alcançando R$ 47,3 bilhões. A taxa de inadimplência subiu para 5,17% em dezembro de 2025, ante 3,16% em dezembro de 2024.
Tarciana Medeiros destacou que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não deve ser utilizado como argumento comercial para vendas de produtos financeiros, fazendo referência ao caso do Banco Master, onde CDBs foram oferecidos como produtos totalmente garantidos pelo FGC.
Ela afirmou que o FGC é um seguro, não um argumento de venda, e ressaltou a solidez do sistema financeiro brasileiro, reconhecido por sua regulação robusta. Após identificar falhas em algumas instituições, ressaltou a necessidade de investigar e corrigir essas falhas para manter a confiança no mercado.
O vice-presidente financeiro, Geovanne Tobias, informou que o Banco do Brasil é responsável por 80% das contribuições do grupo dos maiores bancos do país ao FGC. Com a antecipação de cinco anos dessas contribuições, o banco terá um impacto de R$ 5 bilhões.
O Conselho do FGC aprovou a antecipação das contribuições e o pagamento de uma taxa extra para cobrir o déficit causado pela cobertura aos investidores das instituições do grupo Master liquidadas pelo Banco Central. Geovanne Tobias ressaltou o compromisso de restaurar a liquidez rapidamente, destacando a importância do FGC para a estabilidade do sistema financeiro. Ele afirmou que o aumento da contribuição anual de R$ 1 bilhão para R$ 1,5 bilhão sairá do caixa do banco e exigirá crescimento para suportar esse custo.
Tarciana Medeiros também mencionou que o foco do banco não é exclusivamente no público de alta renda, mas nos segmentos com maior potencial de valor. Destacou a estratégia de manter uma relação próxima com clientes que possuem renda entre R$ 5 mil e R$ 9 mil.
Para os segmentos Estilo e Private, o banco pretende fortalecer essa ligação, visando reter clientes e oferecer experiências mais atrativas. Geovanne Tobias afirmou que foi necessário acelerar essa transformação para aprimorar a competitividade do banco.
O banco está lançando sua primeira sala VIP no Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, aberta para clientes que possuem cartões Banco do Brasil, com acesso ilimitado. Outra sala VIP será inaugurada em Brasília, e outras oportunidades estão sendo avaliadas para agregar valor aos clientes. Essas iniciativas já refletem no aumento da receita, com crescimento de 20% no faturamento dos cartões do banco.

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