Economia
Banco Master emprestou R$1,45 bilhão em um ano, e quase todo o valor retornou via CDBs
As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) sobre o Banco Master mostraram que, mesmo tendo concedido R$ 1,45 bilhão em empréstimos para empresas e fundos, a maior parte desse dinheiro permaneceu no banco, retornando por meio de aplicações em CDBs do próprio Master.
Os CDBs, conhecidos por rendimentos superiores à média do mercado, foram o principal produto de investimento do banco controlado por Daniel Vorcaro.
De acordo com a Procuradoria da República de São Paulo, os empréstimos feitos entre abril e maio de 2024 somam R$ 1,45 bilhão. Deste montante, R$ 1,38 bilhão voltou ao banco graças à compra de CDBs pelos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95, o que representa um retorno de 95% dos valores emprestados.
A análise das movimentações financeiras revelou que, por exemplo, o fundo Brain Realty, que tinha uma dívida de R$ 459 milhões com o Banco Master, aplicou a maior parte desses recursos em títulos classificados como sem valor. Por outro lado, os fundos Astralo 95 e Reag Growth 95 se tornaram credores do banco no valor de R$ 450 milhões.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma operação na quarta-feira com base nesses dados.
O Globo informou que o Fundo Brain Cash, sob gestão da Reag, recebeu em apenas 20 dias um empréstimo de R$ 450 milhões proveniente do Banco Master e conseguiu multiplicar seu patrimônio em aproximadamente 30 mil vezes. Essa foi a única transação registrada pelo fundo, que tinha um único investidor, uma empresa ligada a uma ex-funcionária da Reag.
A aplicação de R$ 450 milhões no Fundo Brain Cash foi extremamente rápida. Pouco mais de uma hora após receber os recursos, o fundo transferiu o dinheiro para o Fundo D Mais, também gerido pela Reag, que possuía em sua carteira títulos sem valor do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Esses títulos, denominados cártulas, são considerados investimentos sem expectativa de retorno.
Minutos depois, o Fundo D Mais repassou o mesmo valor ao FIDC High Tower para quitar parte da compra desses papéis do Besc. A investigação aponta que este fundo reavaliou esses ativos ilíquidos para R$ 10,8 bilhões, atingindo uma rentabilidade de 10.502.205% em 2024.
Após a operação, a defesa de Daniel Vorcaro comunicou que está colaborando totalmente com as autoridades e cumprirá todas as determinações judiciais relacionadas à investigação. Além disso, destacou que Vorcaro permanece disponível para fornecer esclarecimentos e tem interesse no esclarecimento rápido dos fatos, confiando no devido processo legal.
Em comunicado, a Reag esclareceu que não participa das operações societárias ou comerciais das empresas mencionadas, nem exerce controle ou influência sobre suas decisões ou estrutura de capital. Ressaltou que as responsabilidades são exclusivas dos acionistas e administradores dessas companhias.
A companhia acrescentou que os recursos envolvidos derivam de operações de crédito estruturadas, cujos desembolsos estavam condicionados ao avanço e aprovação técnica de projetos específicos. Disse ainda que enquanto essas condições não eram cumpridas, os valores deveriam permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao credor, garantindo que os recursos fossem preservados até a execução das fases previstas.

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