Economia
BC conservador em 2025 dá margem para analisar situação atual, diz Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira, 26, que o Banco Central brasileiro possui hoje certas vantagens que permitem à instituição acompanhar os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e avaliar como esses fatos poderão impactar a economia brasileira. Essa vantagem se dá pelo fato do Brasil ser exportador de petróleo e pela taxa de juros estar em um patamar consideravelmente restritivo.
“O cuidado e a cautela adotados pelo Banco Central ao longo de 2025 nos colocaram em uma situação mais confortável do que seria se estivéssemos menos conservadores”, afirmou Galípolo, ressaltando que tal postura concede à autoridade monetária uma “margem” para analisar os efeitos do conflito.
Essa declaração foi feita durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre de 2026.
“Estamos entendendo o cenário e vamos aprofundar essa análise até a próxima reunião do Copom. O Banco Central tem a vantagem de tomar decisões a cada 45 dias”, acrescentou o presidente, enfatizando que a política monetária será conduzida com prudência.
Galípolo lembrou ainda que, apesar de o Brasil exportar petróleo, o país ainda depende da importação de diversos insumos, o que torna essencial monitorar os preços desses produtos daqui para frente.
Ele destacou a importância de observar os impactos secundários do petróleo, ressaltando a resiliência da economia e afirmando que será necessário tempo para compreender plenamente os riscos presentes no balanço.
Crédito consignado para o setor privado
Galípolo também comentou sobre o aumento significativo nas concessões de crédito decorrente da nova modalidade de crédito consignado para trabalhadores do setor privado, lançada pelo governo no ano anterior. “Observamos que o consignado privado está crescendo rapidamente, com taxas próximas a 50% ou 60%, porque está restringindo uma oferta pré-existente e contemplando pessoas que antes não tinham acesso a crédito”, explicou.
De acordo com o presidente, essas pessoas possuem um perfil de crédito um pouco mais arriscado, o que eleva o custo do crédito.
Ele acrescentou que o atual formato de tomada de crédito no país não favorece o efetivo funcionamento da política monetária, dado o alto custo associado.
“Muitas pessoas acabam utilizando o crédito emergencial como se fosse uma renda disponível, mas esse é o tipo de crédito mais caro e que deveria ser usado apenas em situações de emergência”, finalizou Galípolo.


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