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BC enfrenta momento difícil por suspeita contra servidores, diz Galípolo

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira (26) que as suspeitas envolvendo dois funcionários da instituição no caso Master causaram um período de tristeza e preocupação dentro do órgão.

O ex-diretor de Fiscalização Paulo Souza e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santan foram afastados administrativamente após uma apuração interna revelar indícios de que receberam benefícios indevidos — o que ambos negam.

Posteriormente, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), também ordenou o afastamento judicial após investigação da Polícia Federal mostrar que os dois atuavam como consultores informais do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, dentro do BC.

— Não quero fazer comentários que diminuam a tristeza sentida dentro do BC. Para todos aqui, a ética é um valor fundamental. Esse é um processo de tristeza que ainda estamos enfrentando, e eu sinto muito por isso. A instituição reagiu rápida e corretamente, buscando resolver todas as questões com retidão, governança e respeito ao seu mandato — afirmou o presidente do Banco Central.

Galípolo ressaltou que os procedimentos adotados pela governança do BC, como decisões em colegiado, foram essenciais para que a instituição cumprisse seu papel e identificasse as irregularidades.

— Cada um de nós tem que agir com o máximo rigor institucional. Isso significa não recuar em suas responsabilidades nem exagerar na busca por protagonismo que possa distorcer os fatos ou atender a interesses pessoais — explicou.

Ele frisou que não existe um “salvador da pátria” para resolver essa situação.

— É fundamental que todos respeitem rigorosamente seus papéis institucionais. Essa é a melhor forma de superar o desafio que o país enfrenta neste momento.

O presidente mencionou que o BC continua aprimorando sua governança, porém isso depende de reforço em recursos humanos e avanços no arcabouço legal, incluindo a aprovação do projeto de resolução bancária e a proposta constitucional para ampliar a autonomia do Banco Central.

O regulador está revisando seus processos de supervisão após o escândalo Master, e esse trabalho deve acelerar com as novas suspeitas envolvendo servidores.

— O projeto de resolução bancária vem sendo debatido há uma década e é importante atualizar a legislação, que está defasada há mais de 50 anos, para dispor de ferramentas eficazes para atuar rapidamente em situações de instabilidade.

Esse projeto estabelece etapas claras para lidar com bancos em crise, começando pelos controladores, seguindo pelos credores, e prevê a criação de um seguro semelhante ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para instituições em problemas graves.

Além disso, prevê possibilidade de auxílio temporário do Tesouro Nacional para bancos em crise que sejam relevantes o suficiente para causar impactos significativos no sistema financeiro.

O governo, contudo, deseja eliminar do projeto a parte que trata do socorro da União, enquanto o BC defende sua inclusão.

— A experiência mostra que, no fim das contas, essas ferramentas serão necessárias. O debate é se isso será feito em momentos de tranquilidade para análise calma ou sob pressão, quando decisões urgentes são impostas — concluiu Galípolo.

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