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Bolsonaro articula filiação de Moro ao PL

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A decisão do PL de filiar Sergio Moro e apoiá-lo para o governo do Paraná começou a ser planejada enquanto Jair Bolsonaro ainda estava preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

De acordo com pessoas próximas à família e dirigentes do partido, o ex-presidente passou a defender internamente que o PL reabrisse o diálogo com o ex-ministro como uma forma de reorganizar a direita no estado e evitar a dependência do projeto nacional do governador Ratinho Júnior (PSD).

Bolsonaro está detido desde janeiro, mas recentemente foi internado no hospital DF Star, em Brasília, devido a uma pneumonia.

Os aliados do ex-presidente relatam que ele via o governador Ratinho como alguém que estava ganhando tempo nas negociações e mantendo a possibilidade de disputar a Presidência, o que poderia deixar o PL sem controle sobre o palanque no Paraná. Por isso, Bolsonaro orientou seu filho Flávio Bolsonaro a buscar uma alternativa e iniciar conversas com Moro, que, apesar do histórico de conflitos, ainda é considerado competitivo no estado.

Assim, Flávio conduziu as negociações entre Moro e a liderança do PL, superando resistências internas, especialmente de setores bolsonaristas que ainda tinham reservas em relação a Moro desde o rompimento em 2020.

Bolsonaro argumentou que a situação requeria uma postura pragmática, defendendo que o PL precisava garantir protagonismo no Paraná e ver Moro como uma figura capaz de oferecer um palanque competitivo e atrair outros setores da direita local.

A visão próxima ao ex-presidente é que, ao incorporar Moro, o PL reduz a influência de Ratinho nas negociações nacionais e passa a controlar diretamente uma peça chave da disputa na região Sul. Ao mesmo tempo, essa ação abre espaço para tentar futuramente aproximar o governador para uma eventual composição política.

Essa reconciliação vem após anos de atritos que impediram um alinhamento entre Moro e Bolsonaro.

O afastamento ocorreu em abril de 2020, quando Moro deixou o Ministério da Justiça, acusando o então presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.

O episódio que culminou na saída foi a exoneração do diretor-geral Maurício Valeixo, indicado por Moro. Na despedida, Moro falou sobre a necessidade de preservar sua reputação e relatou pressões por mudanças na corporação e acesso a informações.

O episódio provocou uma investigação no Supremo Tribunal Federal e marcou o distanciamento dos dois. O caso chegou a ser arquivado, mas foi reaberto no ano passado após pedido da Procuradoria-Geral da República.

O desgaste já vinha de dentro do governo, com resistência do Congresso, a desidratação do pacote anticrime e a perda do controle sobre órgãos importantes como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, transferido para o Ministério da Economia. No Planalto, havia desconforto com a autonomia de Moro e o protagonismo que exercia fora da política partidária.

Após sair do ministério, Moro passou a ser alvo frequente de ataques de aliados de Bolsonaro, que o acusaram de traição. Ele, por sua vez, manteve críticas ao governo e se distanciou do bolsonarismo.

Em 2022, a aproximação começou: Moro desistiu de uma candidatura presidencial, disputou o Senado pelo Paraná e declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, além de participar de agendas de campanha ao lado do então presidente.

Desde então, o diálogo foi gradual. Moro retomou contato com aliados de Bolsonaro e adotou um discurso mais crítico em relação a decisões judiciais que envolviam o ex-presidente, mencionando penas excessivas e dúvidas razoáveis nos processos.

Apesar da volta gradual, parte do bolsonarismo manteve desconfiança em relação a Moro. No Senado, ele continuou sofrendo críticas do grupo, especialmente em episódios como a sabatina do ministro Flávio Dino, quando uma foto sua com Bolsonaro foi vista como traição pelos aliados do ex-presidente.

A retomada efetiva se dá agora, em um contexto eleitoral. Como o PL não conseguiu acordo com Ratinho, que tem um projeto presidencial próprio, o partido decidiu buscar outra alternativa para o Paraná e apostou em Moro.

O PL chegou a oferecer apoio a candidato do PSD para o governo local, em troca da desistência da candidatura presidencial do governador, mas não houve avanço nas negociações.

Essa movimentação também resolve um problema para o senador Moro, que enfrentava resistência para viabilizar sua candidatura ao governo no União Brasil, onde negociações de federação com o PP não garantiam espaço para ele, com opositores atuando contra sua candidatura.

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