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Bolsonaro deve continuar afastado após prisão de Zambelli

A detenção da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na Itália nesta terça-feira despertou preocupação entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. No círculo próximo ao ex-mandatário, a opinião dominante é que ele deve manter cautela e distância pública em relação à parlamentar, que foi condenada por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os apoiadores de Bolsonaro receberam a prisão com apreensão, embora esperada, já que Zambelli estava foragida há dois meses e seu nome constava na lista da Interpol. Há o receio de que qualquer manifestação enfática possa aumentar a exposição de Bolsonaro num momento em que ele já enfrenta medidas cautelares do Supremo Tribunal Federal (STF). A recomendação é que ele permaneça em silêncio e longe dos holofotes para evitar complicações jurídicas.
Apesar de ter sido uma das vozes mais fortes da ala ideológica ligada a Bolsonaro, Zambelli já vinha se distanciando do ex-presidente, que demonstra desconforto com a deputada. Em maio, quando Zambelli deixou o país, Bolsonaro afirmou:
— Não tenho nenhuma ligação com a Carla Zambelli, não fiz transferências para ela e estou aguardando.
Agora monitorado por tornozeleira eletrônica e proibido de usar redes sociais, Bolsonaro não deve comentar a prisão da aliada. A orientação é que, mesmo diante da imprensa, ele evite declarações, alegando impedimentos legais. Ainda que possa dar entrevistas, Bolsonaro tem evitado falar para não ter suas palavras divulgadas em redes sociais, o que está proibido pela recente decisão do ministro Alexandre de Moraes.
A relação entre Bolsonaro e Zambelli, antes marcada por lealdade, se rompeu definitivamente após o episódio em que a deputada sacou uma arma e perseguiu um homem negro dias antes do segundo turno das eleições de 2022. Bolsonaro considerou esse fato um dos motivos de sua derrota. Em março, ele atribuiu publicamente a Zambelli parte da responsabilidade pelos resultados eleitorais negativos:
— A Carla Zambelli nos prejudicou. Aquela cena dela perseguindo o homem… Isso fez muitas pessoas pensarem: “Olha, Bolsonaro é a favor de armas”. Mesmo eleitores que não apoiam Lula anularam o voto. Perdemos — declarou em entrevista.
Zambelli tentou se reaproximar após as eleições, mas sem sucesso. O único apoio claro de Bolsonaro foi a um vídeo para a campanha do marido de Zambelli, Coronel Aginaldo, à prefeitura de Caucaia (CE), que terminou em quarto lugar.
Antes do rompimento, Zambelli havia demonstrado fidelidade ao ex-presidente, como quando, em 2020, tentou convencer o então ministro Sergio Moro a voltar atrás após sua renúncia. Também teria sugerido a indicação de Regina Duarte para a Cinemateca após ela deixar a Secretaria de Cultura.
Zambelli também se distanciou de antigas aliadas em defesa de Bolsonaro. Ela se afastou da deputada Joice Hasselmann, que apoiou o impeachment de Dilma Rousseff mas rompeu com o governo. Contudo, a lealdade de Zambelli não foi recompensada, pois em 2021 Bolsonaro a retirou da vice-liderança da Câmara para acomodar o Centrão e ampliar sua base.
Nas eleições de 2022, estiveram juntos, sendo Zambelli uma das principais responsáveis pelos votos do PL em São Paulo, com mais de 946 mil votos. Ainda assim, ela foi preterida na disputa ao Senado em favor do ex-ministro Marcos Pontes.
O rompimento final ocorreu após o incidente da arma, que também gerou acusações contra Zambelli por porte ilegal e constrangimento ilegal.

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