Conecte Conosco

Brasil

Bolsonaro perto do banco dos réus

Publicado

em

Primeira Turma do STF decide hoje se acata a denúncia contra o ex-presidente e sete aliados por tentativa de derrubar a democracia. Caso a acusação seja aceita, terá início o processo penal. Na sessão inicial de análise, ministros rejeitam todos os pedidos das defesas

O julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados dele, acusados de integrarem o chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado, será retomado nesta quarta-feira, com o voto do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, e dos demais membros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é de que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) seja acatada por unanimidade, tornando réus os oito suspeitos de atentarem contra a democracia.

No primeiro dia da análise, nesta terça-feira, Bolsonaro apareceu de surpresa e sentou na primeira fila, ao lado de advogados. Foi a primeira vez que um acusado compareceu à avaliação de uma denúncia em que é implicado. A defesa dele e as dos demais acusados, porém, amargaram derrotas em série na sessão. Os ministros rejeitaram todos os pedidos que fizeram. Nas sustentações orais, os advogados questionaram a competência do colegiado para julgar o caso, a participação dos ministros e, até mesmo, a delação premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro de Mauro Cid, que é o eixo da denúncia. Todos os argumentos foram rebatidos pela PGR e pelo STF.

Além de Bolsonaro, foram acusados, nesse grupo, os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres; o deputado federal e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Os integrantes desse núcleo são apontados pela Procuradoria como os principais responsáveis pela trama golpista. Segundo a denúncia, o grupo formou o núcleo central da “organização criminosa”, cujas decisões e ações foram fundamentais para a tentativa de derrubar a democracia.

Caso a denúncia seja aceita, começará a ação penal na Corte. Haverá a fase de produção de provas por parte da acusação e dos advogados de defesa, serão realizadas oitivas de testemunhas e analisados documentos que possam reforçar ou enfraquecer a acusação.

Após essas etapas, os magistrados decidirão pela condenação ou absolvição dos réus. A data de um possível julgamento ainda não foi definida. Considerando os trâmites legais, o caso pode ser julgado ainda no primeiro semestre deste ano.

O processo ficou no colegiado devido a mudanças internas da Corte. Em 2023, foi restabelecida a competência das Turmas para analisar casos penais, ou seja, investigações e processos em que se apura se houve crime. A denúncia foi encaminhada para a Primeira Turma porque o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, integra o colegiado.

Ao fazer a leitura preliminar do relatório, Moraes deu uma descrição detalhada do caso e reiterou que as defesas dos denunciados tiveram total acesso às provas.

“Indeferi pedidos de acesso e indiquei para a defesa de Bolsonaro um tutorial para acesso às provas que a defesa diz não ter tido acesso”, disse Moraes.

Em manifestações anteriores, a defesa de Bolsonaro reclamou de restrições ao acesso às provas do inquérito, alegando um suposto “cerceamento”. Celso Vilardi, advogado do ex-chefe do Executivo, afirmou que não foi disponibilizada a integralidade dos documentos.

Moraes também destacou um trecho da denúncia feita pela PGR. “A natureza estável e permanente da organização criminosa é evidente em sua ação progressiva e coordenada, que se iniciou em julho de 2021 e se estendeu até janeiro de 2023. As práticas da organização caracterizaram-se por uma série de atos dolosos ordenadas à abolição do Estado Democrático de Direito e à deposição do governo legitimamente eleito”, frisou.

Durante a sessão, o ministro ainda mencionou o julgamento dos golpistas do 8 de Janeiro. “Aproveito para desfazer narrativa completamente inverídica, de que o STF estaria condenando velhinhas com a Bíblia na mão, que estariam passeando pela Praça dos Três Poderes. Nada mais mentiroso do que isso”, sustentou.

 

Correio Braziliense

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados