Conecte Conosco

Brasil

Brasil busca destaque, mas assinatura do acordo Mercosul-UE fica com Paraguai

Publicado

em

Por poucos dias, o Brasil perdeu a chance de realizar a assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia em seu território, em Foz do Iguaçu. Essa cerimônia simbólica será realizada no Paraguai, que atualmente preside o Mercosul, em uma cerimônia em Assunção com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Na última sexta-feira, a maioria dos países da União Europeia aprovou o acordo com o Mercosul, superando a resistência de setores do agronegócio europeu e a oposição da França. Essa aprovação abriu caminho para a assinatura política do tratado, que criará a maior zona de livre comércio global.

Até pouco tempo atrás, o governo brasileiro esperava que a assinatura ocorresse em 20 de dezembro em Foz do Iguaçu, simbolizando um marco sob a presidência brasileira do Mercosul. O acordo, após mais de 20 anos de negociações, seria um sinal da retomada da liderança regional e internacional do Brasil.

Em um cenário global de tensões comerciais, como as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o acordo com a União Europeia foi considerado uma estratégia-chave. Ele abrange comércio, tarifas e normas regulatórias entre blocos que somam cerca de 722 milhões de habitantes e um PIB conjunto estimado em 22 trilhões de dólares.

A implementação do acordo será gradual. A parte comercial depende da aprovação do Parlamento Europeu. No Mercosul, entrará em vigor conforme os parlamentos dos países ratificarem o tratado. A parte política do acordo, envolvendo democracia, multilateralismo e cooperação institucional, deverá passar pelos legislativos dos 27 países europeus.

Interlocutores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva veem potencial no acordo para impulsionar a modernização do Mercosul. Espera-se que a ampliação do acesso a mercados, a previsibilidade das regras e a integração das cadeias produtivas regionais fortaleçam a competitividade do bloco, reduzindo custos e ampliando exportações.

Acordo com a EFTA

Além do trato com a União Europeia, a presidência brasileira do Mercosul também finalizou as negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Depois de oito anos de diálogo, o acordo facilita o comércio de bens e serviços, amplia o acesso a mercados e garante previsibilidade jurídica entre os blocos.

O texto prevê a liberação de 97% das exportações em ambas as direções, aproximando os consumidores brasileiros de produtos tradicionais desses países — como chocolates e medicamentos suíços e bacalhau norueguês — a preços mais acessíveis. O tratado foi assinado em setembro durante reunião entre chanceleres do Mercosul e autoridades da EFTA no Rio de Janeiro.

Embora tenha apenas quatro países, a EFTA reúne economias com alta renda, tecnologia avançada e grande capacidade importadora. A Suíça, por exemplo, é um dos maiores investidores mundiais e importante comprador de produtos industriais e agroalimentares. Para o Mercosul, o acordo abre oportunidade para exportar produtos de maior valor e integrar cadeias produtivas com parceiros que têm vasta rede de acordos comerciais com a União Europeia e outras regiões.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados