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Brasil deve agir com prudência em meio a conflito entre EUA e Irã no Brics
O Brasil precisa manter uma postura prudente em relação aos ataques recentes realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Essa decisão torna-se fundamental diante do cenário onde o governo brasileiro negocia tarifas comerciais com os americanos, enquanto mantém o Irã como um aliado integrante do Brics, grupo que representa nações do Sul Global.
Especialistas em relações internacionais destacam que a posição oficial do Brasil é buscar o diálogo e a negociação como meios para alcançar a paz. Em comunicado recente, o governo expressou condenação à ofensiva e pediu contenção para evitar a intensificação do conflito e proteger civis e infraestruturas.
Apesar das negociações em curso sobre o programa nuclear iraniano, os EUA realizaram ataques militares em território iraniano, seguidos por ataques israelenses. O Irã reagiu lançando mísseis contra países vizinhos com presenças militares americanas. O país sustenta que seu programa nuclear tem propósitos pacíficos.
Cautela Necessária
Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, enfatiza que o Brasil deve buscar um equilíbrio entre o apoio ao Irã e a manutenção das negociações com os EUA. O fato de o Irã ter ingressado no Brics complica a posição brasileira, já que o país precisa evitar antagonizar quaisquer dos lados.
Espera-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúna com o presidente americano Donald Trump no fim de março para discutir essas questões e possíveis acordos comerciais, especialmente relacionados às tarifas impostas pelo governo americano.
Relações no Brics e Repercussões
O professor aposentado Williams Gonçalves, da Uerj, destaca que o Brasil possui vínculos importantes com Rússia e China, outros membros fundadores do Brics, assim como com o Irã, agora membro oficial. Essa integração no grupo destaca a necessidade de uma posição cautelosa, já que todos os países buscam, de certa forma, uma mudança na ordem internacional atual.
Gonçalves também alerta para o histórico de cautela do Brasil em situações políticas sensíveis na região, citando o caso da Venezuela. Ele ressalta que o país sempre defendeu a autodeterminação dos povos e a não interferência em assuntos internos de outros Estados, posicionamento que deve ser mantido.
Análise e Impactos Econômicos
Leonardo Paz Neves, pesquisador da FGV, considera que a influência do conflito no Brasil será limitada, dada a distância e os interesses específicos do país. A postura do governo no momento é crítica, mas diplomática, incentivando a retomada das negociações entre os Estados Unidos e o Irã sem envolvimento direto no conflito.
Do ponto de vista econômico, Paz Neves aponta que o Brasil pode ser impactado por possíveis aumentos no preço do petróleo, o que afetaria diversos setores e elevaria a inflação. Também pode haver reflexos nas relações comerciais com o Irã, que importa do Brasil produtos como soja, milho e proteínas.
Segundo dados oficiais, a corrente comercial entre os dois países atingiu cerca de US$ 3 bilhões em 2025, com saldo positivo para o Brasil. O milho não moído e a soja são os principais itens exportados para o Irã. Caso o conflito se intensifique e haja bloqueios, setores agrícolas brasileiros poderão sofrer prejuízos significativos pela perda de um importante mercado.

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