Economia
Brasil e UE celebram acordo Mercosul-UE como avanço no multilateralismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudaram a iminente assinatura do tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia como um passo fundamental para a prosperidade global e o fortalecimento do multilateralismo.
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo, que criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, será assinado em uma cerimônia em Assunção, no Paraguai.
Os dois blocos econômicos representam conjuntamente cerca de 30% do PIB global e somam um mercado com mais de 700 milhões de consumidores.
No entanto, o pacto enfrenta oposição de agricultores e pecuaristas em alguns países europeus, que têm se manifestado em protestos vigorosos.
Em declaração conjunta, Lula, grande defensor do acordo, destacou que o tratado é vantajoso para ambos os blocos, mas especialmente benéfico para as democracias e para o multilateralismo.
Para Von der Leyen, que elogiou o papel de Lula nas negociações, o acordo demonstra o poder da cooperação e da abertura, fundamentais para gerar prosperidade verdadeira.
Von der Leyen afirmou que a conclusão deste pacto acontece em um contexto global de incertezas, marcado por políticas protecionistas e ameaças tarifárias em várias partes do mundo.
Lula complementou que a cooperação entre Mercosul e UE vai além das questões econômicas, ressaltando valores compartilhados como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos.
Resistência europeia
Na assinatura estarão presentes os presidentes anfitriões do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi, além da expectativa pela participação do argentino Javier Milei.
Lula não comparecerá ao evento, pois sua participação estava inicialmente prevista em nível ministerial, e os convites presidenciais surgiram posteriormente.
Desde seu retorno ao governo em 2023, Lula tem sido um entusiasta do acordo, que abrirá novos mercados para o expressivo setor agropecuário brasileiro.
Von der Leyen destacou que o pacto proporcionará amplas oportunidades comerciais, acesso mútuo a mercados estratégicos, regras claras e previsíveis, e fortalecerá as cadeias de suprimento, atraindo investimentos.
Para o Brasil, o acordo representa uma chance de ampliar a exportação de carne, soja, arroz, café e outros produtos à Europa, em troca da abertura do mercado para bens europeus como veículos, máquinas, queijos e vinhos.
Contudo, alguns setores europeus temem a concorrência de produtos do Mercosul, considerados mais competitivos devido a regulamentações ambientais e de produção menos rigorosas.
Apesar da oposição de países como França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, a UE aprovou o acordo em janeiro, com o Conselho Europeu autorizando a Comissão Europeia a avançar com o tratado, passo final antes da assinatura.
Elogios a Lula
Von der Leyen não poupou elogios a Lula, descrevendo-o como a liderança necessária no mundo atual, comprometida com valores essenciais como democracia, ordem internacional baseada em normas e respeito às nações e ao meio ambiente.
Além do pacto UE-Mercosul, Von der Leyen mencionou o avanço nas negociações para um acordo importante sobre minerais essenciais, com investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras, fundamentais para a transição digital, energética e para a autonomia estratégica global.

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