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Economia

Brasil terá tarifa zerada em quase metade das exportações para os EUA

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O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou nesta terça-feira (24) uma nota sobre o impacto para o Brasil com o fim do aumento tarifário e a introdução de uma tarifa global de 10% pelos Estados Unidos. A principal informação é que quase 50% das exportações brasileiras para os EUA não serão mais tarifadas.

De acordo com o MDIC, cerca de 46% (US$ 17,5 bilhões) das exportações brasileiras para os EUA em 2025, desconsiderando possíveis sobreposições com produtos abrangidos pela Seção 232, estarão isentas de tarifas adicionais devido às exceções previstas na nova medida publicada na sexta-feira (20). A Seção 232 é parte da Lei de Expansão Comercial de 1962, que permite imposição de tarifas por questões de segurança nacional, conforme investigação do Departamento de Comércio americano.

Antes dessas mudanças, aproximadamente 22% das exportações brasileiras para os EUA estavam sujeitas a tarifas extras de 40% ou 50%.

Com as recentes Ordens Executivas, o governo brasileiro estima que, sem considerar possíveis sobreposições com a Seção 232, cerca de 25% (US$ 9,3 bilhões) das exportações para os EUA passarão a sofrer tarifas de 10% (ou 15%).

“Com a nova regra, esses produtos enfrentarão a mesma tarifa aplicada a outros países”, afirmou o MDIC.

Mais cedo, a Casa Branca confirmou a imposição temporária de uma tarifa global de 10% sobre as importações, baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, com o objetivo de lidar com problemas fundamentais no balanço de pagamentos dos EUA. Inicialmente, o presidente Donald Trump havia sugerido que a tarifa poderia ser de até 15%, mas a sobretaxa oficial foi fixada em 10%.

Produtos que continuam sujeitos às tarifas da Seção 232 correspondem a 29% das exportações brasileiras para os EUA (US$ 10,9 bilhões). “Este é um mecanismo aplicado uniformemente entre países, com incidência limitada por produto”, explicou o MDIC.

O ministério liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o novo regime tarifário americano melhora a competitividade de várias indústrias brasileiras no mercado dos EUA, beneficiando setores como máquinas e equipamentos, calçados, móveis, roupas, madeira, produtos químicos e pedras ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a ser tarifados em 10% (ou 15%).

Outra novidade do novo regime é a exclusão das aeronaves das tarifas, que passam a ter alíquota zero para entrada no mercado americano, frente aos 10% anteriores. Aeronaves foram o terceiro principal produto exportado para os EUA nos últimos anos e possuem alto valor agregado e conteúdo tecnológico significativo, segundo o MDIC.

No setor agropecuário, itens como pescados, mel, tabaco e café solúvel tiveram suas tarifas reduzidas de 50% para 10% (ou 15%), competindo em igualdade com outros fornecedores internacionais.

Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 82,8 bilhões, um aumento de 2,2% em relação a 2024. As exportações brasileiras somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Por fim, o MDIC salientou que os dados são estimativas e podem variar, além de que as tarifas nos EUA são aplicadas considerando critérios adicionais para certos produtos, como uso final e destino específico, que podem afetar a tarifa aplicada.

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