Economia
BRB cria fundo imobiliário para fortalecer capital com imóveis do DF
Após a aprovação da lei que permite ao governo do Distrito Federal vender imóveis e investir no Banco de Brasília (BRB), o presidente da instituição, Nelson de Souza, declarou que o foco está na criação do Fundo de Investimento Imobiliário (FII). Esse fundo permitirá a venda de cotas e, assim, o banco poderá fortalecer seu capital.
Nelson de Souza afirmou que a corrida é para finalizar tudo até o dia 18, data marcada para a Assembleia Geral do banco, onde será oficializado o aumento de capital, essencial para ajustar a instituição às normas bancárias. O presidente considera essa data o “Dia D” do banco.
O FII será composto por nove imóveis transferidos pelo governo do Distrito Federal para o BRB. A venda das cotas desse fundo converterá os imóveis em recursos financeiros, que serão usados para adquirir novas ações e garantir o reenquadramento do capital do banco.
De acordo com Souza, três investidores qualificados já manifestaram interesse nas cotas. O banco também contribuirá com uma parte do montante a ser captado, estimado em R$ 6,6 bilhões, por meio das cotas subordinadas, que apresentam maior risco caso haja problema nos ativos do fundo.
Souza ressaltou que, mesmo se o valor pretendido for captado integralmente pelo fundo, outras opções estão sendo consideradas para reforçar o capital do banco.
Recentemente, a venda de aproximadamente R$ 5 bilhões em carteiras de crédito contribuiu para a melhora da liquidez do BRB. Com isso, o banco está em condições de participar das cotas subordinadas do fundo.
O índice de Basileia, que avalia a saúde financeira da instituição, deverá melhorar, saindo de um patamar negativo para mais de 15%, superando o mínimo de 10,5% exigido pelas normas prudenciais. Esse índice indica a quantidade de capital próprio que o banco possui em relação ao que empresta.
A situação do BRB foi afetada pela compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito com suspeita de fraudes. Essas foram substituídas por ativos avaliados em cerca de R$ 21,9 bilhões, embora parte desses ativos (mais de R$ 6 bilhões) seja considerada problemática, o que resultará em provisões contábeis que devem gerar um prejuízo aproximado de R$ 4 bilhões no balanço do ano passado.
O balanço de 2025 será divulgado no final do mês e, caso o planejamento avance conforme esperado, o demonstrativo financeiro preliminar do primeiro trimestre de 2026 já incluirá as operações de aumento de capital e aportes realizados, refletindo indicadores financeiros regulatórios ajustados.
Segundo Souza, a decisão pelo aumento de capital ocorreu porque, apesar dos ativos adquiridos do Master terem potencial para gerar os recursos necessários, o mercado exigia um desconto muito elevado para a compra dessas carteiras.
Para manter a liquidez no curto prazo, o banco optou por vender carteiras próprias e acelerar a criação do Fundo Imobiliário, priorizando o aporte de capital do governo do Distrito Federal.
Além do fundo, o BRB considera outras estratégias para fortalecer sua estrutura de capital, como a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FDIC) com ativos do Master, a venda de parte da BRB Financeira — subsidiária do banco — e a recompra de letras financeiras subordinadas no mercado, o que poderia proporcionar ganhos de liquidez e capital.
Souza destacou que o empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que seria usado para o aporte de capital do governo do DF, é considerado a última alternativa, pois existem outras opções antes dessa.
O banco aguarda ainda uma decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, que pode determinar a transferência de recursos retidos relativos às carteiras de crédito adquiridas no passado, o que impactaria positivamente tanto a liquidez quanto a capitalização da instituição.
A operação de aumento de capital poderá reduzir a participação dos acionistas minoritários, que provavelmente não acompanharão um aporte deste porte, o que pode afetar futuros dividendos. No entanto, Souza frisou que desde a aprovação do plano e do apoio da Câmara Legislativa do DF, as ações do banco valorizam cerca de 18%, mesmo diante das notícias negativas da nova fase da operação de investigação.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login