Centro-Oeste
BRB vai pedir até R$ 4 bilhões a grupo de bancos
Após adiar o balanço, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, revelou que solicitará um empréstimo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões a um consórcio formado por vários bancos. Esse consórcio reúne instituições financeiras que compartilham riscos e garantias para conceder o empréstimo.
Esse pedido se soma a uma solicitação já feita ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em 24 de março, para um empréstimo de R$ 4 bilhões, que ajudará a capitalizar o banco após prejuízos relacionados à compra de créditos irregulares do Banco Master.
Investigações indicam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos do Banco Master, dos quais apenas parte foi recuperada. A intenção do BRB é usar imóveis do Governo do Distrito Federal como garantia para esse empréstimo junto aos bancos.
De acordo com o presidente Souza, o BRB receberá aporte de capital do governo do Distrito Federal até 30 de maio, dentro do prazo de 180 dias estabelecido pelo Banco Central para essa operação, que termina em 5 de agosto. Caso o banco não cumpra as regras, pode enfrentar intervenção do órgão regulador.
O BRB planeja solicitar ao governo federal a participação da Caixa Econômica Federal e de outros bancos públicos federais no consórcio de bancos privados.
Souza acredita que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, pedirá ao governo federal apoio para mobilizar bancos públicos nesse reforço financeiro ao BRB.
Segundo ele, se o governo federal permitir, bancos como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia poderão integrar o consórcio.
O presidente relatou que manteve reunião com a governadora antes do anúncio do adiamento da divulgação do balanço de 2025, cuja data legal era 31 de março. Sem esses dados, ainda não é possível determinar a extensão do prejuízo causado pelas operações com o Banco Master.
Souza reconheceu que o cenário político atual, por ser ano eleitoral, pode complicar a situação do banco se o caso for politizado.
Ele ressaltou que a governadora tem o compromisso de governar para todos e manter um bom relacionamento com todos os poderes, incluindo o Executivo Federal, que pode ajudar o banco.
O BRB também tem vendido carteiras de crédito para outros bancos para aumentar sua liquidez.
O adiamento da divulgação do balanço foi justificado pela necessidade de concluir uma auditoria forense que investiga eventos ligados a uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão do dono do Banco Master por suspeita de fraudes em créditos.
O relatório dessa auditoria será entregue em breve e passará por avaliação da administração do banco e do auditor externo, Grant Thornton.
Além disso, o BRB anunciou que convocará uma nova assembleia no dia 22 de abril para que os acionistas decidam sobre um aumento do capital social da instituição.
Atualmente, o banco enfrenta riscos de sanções severas do Banco Central, como regime de administração especial temporário (Raet), intervenção ou até liquidação extrajudicial. Como banco estatal, a aplicação do Raet poderia abrir caminho para sua privatização.
No entanto, Souza minimizou esses riscos, afirmando que não existe possibilidade de fechamento do banco ou aplicação do Raet pela simples ausência de divulgação do balanço.
Ele destacou que o Banco Central entende que, ao contrário de outros bancos envolvidos no escândalo do Banco Master, o BRB possui ativos suficientes para continuar operando.
Souza ressaltou ainda que, na história do Brasil, nenhum banco público estadual foi liquidado.


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