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Economia

Caged indica desaceleração na criação de empregos por causa dos juros

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O saldo entre contratações e demissões revelou que o Brasil criou 1,3 milhão de empregos em 2025, o crescimento mais lento desde o período pós-pandemia.

Os dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho, apontam para uma desaceleração econômica causada pelo aperto monetário do Banco Central. Essa política, que visa controlar a inflação, tem como efeito colateral a diminuição do consumo e dos investimentos necessários para o crescimento dos negócios.

Esse resultado representa um avanço de 2,71% no total de empregos em relação ao ano anterior. Em 2024, por exemplo, o número de vagas criadas foi de 1,7 milhão, equivalente a 3,69% de crescimento.

Embora essa queda já fosse esperada, a geração de empregos em dezembro de 2025 foi ainda menor que as previsões dos economistas.

Janaína Feijó, pesquisadora do FGV Ibre, explica que a expectativa para 2025 já era de um crescimento menor comparado a 2024, período em que o mercado de trabalho demonstrava resistência apesar da alta dos juros, que chegaram ao patamar atual de 15% ao ano.

Mesmo considerando o efeito sazonal de demissões em dezembro, devido ao fim das vagas temporárias da temporada de Natal, o desempenho ficou abaixo das projeções médias dos analistas.

Esse cenário reforça que a política monetária do Banco Central está impactando diretamente o mercado de trabalho.

Janaína Feijó destaca que, embora o saldo negativo em dezembro fosse esperado devido a ajustes nas empresas, a magnitude dessa queda é maior do que o usual. A alta taxa de juros desestimula a contratação, pois torna mais vantajoso para os empreendedores aplicar recursos financeiros do que expandir suas equipes. Além disso, quando a economia vai mal, investidores tendem a adiar novos investimentos.

A indústria e o comércio foram os setores que mais contribuíram para a redução no número de vagas, refletindo a desaceleração em suas atividades em 2025.

De acordo com Janaína Feijó, a indústria vem apresentando resultados negativos desde agosto, inicialmente atribuídos ao impacto das tarifas, mas que persistem mesmo sem esses efeitos recentes. A alta dos juros e fatores externos continuam influenciando negativamente esses segmentos.

Os efeitos dos juros elevados e da desaceleração aparecem mais rapidamente nos dados do Caged do que na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE, uma vez que o Caged foca nas vagas formais e acompanha as variações mês a mês, enquanto a Pnad considera o trimestre móvel, suavizando os impactos.

Por esse motivo, a taxa de desemprego nacional divulgada na próxima sexta-feira poderá continuar em níveis baixos, conforme a previsão dos analistas.

Para 2026, espera-se um mercado de trabalho influenciado pelos juros altos, mas com possíveis estímulos para a economia, como incentivos fiscais previstos para o primeiro semestre, além dos eventos da Copa do Mundo e das eleições.

André Valério, economista sênior do Inter, concorda que o Caged demonstra como a política monetária tem desacelerado a economia. Ele afirma que os resultados confirmam as projeções feitas pelo Copom na reunião recente, alinhadas à expectativa de um início de corte dos juros em março.

Segundo André Valério, “esperamos um corte inicial de 0,50 ponto percentual, mas caso a desaceleração da atividade e do emprego se intensifique até a próxima reunião e o real continue a se valorizar, o Copom poderá considerar um corte mais expressivo”.

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