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Calor intenso pode causar hipertermia em pets com focinho curto e pelagem densa

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Desde dezembro, a época mais quente do ano já se faz sentir com dias claros e temperaturas elevadas. O verão, apreciado em praias durante as férias escolares, demanda cuidados especiais para garantir o bem-estar dos animais de estimação diante do calor intenso.

Os pets enfrentam maior dificuldade em controlar a temperatura corporal porque não utilizam a pele para dissipar calor como os humanos. Cães regulam a temperatura principalmente pela respiração, enquanto os gatos se refrescam por meio da respiração e da lambedura, que usa a evaporação da saliva para reduzir o calor na pele.

Essa limitação faz com que os animais apresentem sintomas claros de desconforto térmico, sendo a respiração ofegante o sinal mais evidente para os donos.

Hipertermia

A hipertermia ocorre quando a temperatura do corpo do cão ou gato ultrapassa níveis seguros, geralmente acima de 39,5 °C, devido à incapacidade de dissipar o calor adequadamente. Como a regulação térmica não ocorre pela pele, esse processo demanda muito esforço do organismo do animal.

Diferente da febre, que é causada por infecções ou inflamações, a hipertermia decorre de fatores externos como temperaturas altas, exercícios excessivos ou permanência em locais quentes e sem ventilação, caracterizando uma situação de emergência veterinária.

Locais como carros expostos ao sol, quintais sem sombra e residências mal ventiladas são ambientes de risco.

Os sinais nem sempre são notados de imediato pelos donos, mas incluem respiração acelerada, salivação intensa, fraqueza, vômitos, desorientação e gengivas vermelhas brilhantes. Em casos severos, podem ocorrer convulsões, colapso e falência de órgãos.

O cuidado inicial consiste em remover o animal da fonte de calor, levá-lo a um ambiente fresco e iniciar resfriamento gradual, evitando choques térmicos. Mesmo com melhora aparente, é necessária observação prolongada devido ao risco de complicações posteriores.

Animais mais vulneráveis

Cães com focinho curto, conhecidos como braquicefálicos, têm maior dificuldade para lidar com o calor e maior risco de hipertermia.

Raças como bulldog francês e inglês, pug, shih-tzu, boxer e pequinês apresentam características anatômicas que dificultam a respiração eficiente e a troca térmica corporal.

Esses cães têm narinas estreitas, palato mole alongado e vias aéreas reduzidas, dificultando a entrada e saída de ar e diminuindo o resfriamento natural pelo ofegar.

Assim, atividades comuns para outros cães, como passeios longos e brincadeiras intensas, ou permanência em ambientes quentes, podem ser perigosas para esses pets. Os sintomas de calor excessivo surgem rapidamente, incluindo respiração barulhenta e acelerada, língua muito vermelha, excesso de saliva, fadiga extrema e dificuldade para se manter em pé.

Além dos braquicefálicos, cães de grande porte com pelagem densa, típicos de regiões frias, também sofrem com o calor. Raças como Husky Siberiano e Malamute do Alasca, que são adaptadas a climas glaciais, têm pelagem que agrava a retenção de calor em dias quentes, especialmente sem sombra adequada e ventilação.

Raças como Akita, Chow Chow e Spitz Alemão possuem dupla camada de pelo, dificultando a perda de calor.

Gatos

Entre os gatos, aqueles com pelagem longa e espessa, como o Persa, estão mais suscetíveis ao calor, especialmente quando têm focinho achatado, que compromete a respiração eficiente.

O Maine Coon, embora mais resistente, pode sofrer em climas muito quentes devido ao tamanho e ao pelo abundante. O mesmo vale para o Siberiano e o Norueguês da Floresta, adaptados ao frio intenso e menos preparados para altas temperaturas.

Importante destacar que o risco não depende apenas do tamanho do pelo, mas também da densidade do subpelo, porte e estado de saúde do animal. Tosar demais pode prejudicar a proteção natural da pele.

Atenção aos sinais e cuidados

Claudio Rossi, médico-veterinário da Ceva Saúde Animal, recomenda buscar ajuda veterinária imediata se o pet apresentar sintomas como respiração ofegante intensa, salivação abundante, cansaço, fraqueza, indisposição, pele muito quente, batimentos cardíacos acelerados ou dificuldade para andar.

Ele alerta que temperaturas corporais acima de 40 °C podem levar a vômitos, problemas de coagulação, edema pulmonar, risco de coma e até morte por parada cardíaca.

A presença de língua roxa é um sinal de urgência para atendimento veterinário.

Dicas para proteger seu pet no calor:

  • Evite passeios entre 10h e 16h; prefira horários mais frescos, leve água e verifique a temperatura do chão para não queimar as patas.
  • Ofereça bastante água fresca e refeições em locais sombreados e frescos.
  • Disponibilize gelo, água congelada ou picolés naturais feitos com água de coco ou melancia.
  • Nunca deixe o pet em ambientes fechados ou sem sombra, como carros ou quintais expostos ao sol.
  • Permita banhos e brincadeiras com água, além do uso de ventiladores, climatizadores ou ar-condicionado.
  • Fique atento aos sinais de hipertermia e procure veterinário imediatamente ao notar sintomas graves.
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