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Calor na Europa pode aumentar transmissão do vírus Chikungunya
Um estudo científico alerta que o aumento global das temperaturas deve provocar, ao longo dos próximos anos, mais infecções pelo vírus Chikungunya, transmitido por mosquitos, e que provoca dores nas articulações.
Essa infecção viral é comum em regiões de clima tropical, onde há milhões de casos de infecção pelo Chikungunya todos os anos. Segundo o estudo, ela pode se espalhar para mais 29 países, incluindo grande parte do continente Europeu.
A situação na região sul da Europa é a mais preocupante. A pesquisa, publicada no Journal of Royal Society Interface e divulgada pelo jornal britânico Guardian, destaca Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal como os seis países sob maior risco de epidemias associadas ao Chikungunya.
Transmitido por mosquitos do gênero Aedes, principalmente as espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, que sobrevivem e se reproduzem em ambientes quentes, o vírus ainda não tem o mesmo impacto nos países mais ao norte da Europa.
No entanto, segundo o autor principal do estudo, Sandeep Tegar, citado pelo Guardian, “é apenas uma questão de tempo” até que o vírus também se expanda para essas regiões.
Com base na análise do impacto da temperatura no tempo de incubação do vírus no Aedes albopictus, os cientistas concluíram que a temperatura mínima que permite infecção é cerca de 2,5°C.
Este patamar é consideravelmente menor que o apontado por estudos anteriores. A temperatura máxima favorável à transmissão da doença fica entre 13°C e 14°C.
Até então, acreditava-se que a transmissão ocorresse em temperaturas mínimas entre 16°C e 18°C. Os novos dados indicam que o risco de surtos poderá atingir mais regiões e durar períodos mais longos do que se pensava.
A infecção pelo vírus Chikungunya causa dores intensas e debilitantes nas articulações, que podem persistir por vários anos. A doença pode ser fatal para crianças e idosos.
O Chikungunya não é transmitido diretamente de pessoa para pessoa, embora já tenha sido documentada transmissão de mãe para filho durante a gravidez e no período perinatal, além de casos por transfusões sanguíneas contaminadas, conforme artigo do hospital Hospital da Luz redigido pelo médico Saraiva da Cunha.
O vírus, detectado pela primeira vez em 1952 no Planalto Makonde, na Tanzânia, atingiu em larga escala França e Itália no ano passado, com centenas de casos após vários anos com pouca ocorrência na Europa.
O aquecimento global provocou o fim da barreira dos invernos frios da Europa, permitindo que os mosquitos Aedes atuem durante todo o ano no sul da Europa. Os cientistas prevêem que a situação irá se agravar e que os surtos serão mais intensos.
Em declarações ao Guardian, os autores do estudo expressam preocupação com o rápido aumento das temperaturas na Europa, que é aproximadamente o dobro da média global, segundo Sandeep Tegar.
De acordo com a Dra. Diana Rojas Alvarez, líder da equipe da Organização Mundial da Saúde sobre vírus transmitidos por mosquitos e carrapatos, a doença pode ser devastadora, com até 40% das pessoas afetadas sofrem de artrite ou dores agudas até cinco anos após a infecção.
Apesar do clima influenciar fortemente a propagação, a Dra. Diana Rojas Alvarez destaca que é responsabilidade da Europa controlar os mosquitos para evitar maior disseminação.
Ela alerta para a importância de educar a população sobre eliminação de água parada, uso de roupas compridas e claras, e aplicação de repelentes para prevenir picadas.
Além disso, ressalta a necessidade das autoridades criarem sistemas de vigilância para monitorar a doença.
O principal autor, Sandeep Tegar, afirma que a pesquisa oferece ferramentas para que as autoridades locais saibam quando e onde agir para combater o avanço do vírus.

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