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Casa Branca afirma que missão militar europeia na Groenlândia não altera planos dos EUA

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A Casa Branca declarou nesta quinta-feira (15) que o envio de tropas europeias para a Groenlândia não interfere na intenção do presidente americano Donald Trump de adquirir o território autônomo dinamarquês no Ártico.

Na mesma data, diversos países europeus iniciaram o envio de militares para a Groenlândia, após reunião em Washington entre autoridades da Dinamarca, da Groenlândia, o vice-presidente e o secretário de Estado dos EUA.

A Dinamarca buscou tranquilizar os Estados Unidos após a ameaça de Trump de anexar a ilha, salientando a importância da Groenlândia para a segurança americana.

A Casa Branca mantém o interesse de compra da ilha, sem descartar uma intervenção militar, dada a riqueza dos recursos minerais da região.

Após o encontro, o vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, anunciou o envio de mais tropas da Otan para a ilha a partir de quarta-feira. Países europeus enviaram contingentes militares numa missão exploratória.

Durante uma coletiva, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a presença das tropas europeias não influencia as decisões do presidente nem seu objetivo de adquirir a Groenlândia.

O chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, respondeu que a aquisição da Groenlândia pelos EUA é impossibilidade, destacando que isso vai contra a soberania e as regras internacionais da Dinamarca e da Groenlândia.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir maior segurança no Ártico, mantendo um desacordo com a posição americana sobre a Groenlândia.

Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielson, apelou para que o caminho seja o diálogo e a diplomacia.

Na capital Nuuk, a população demonstra preocupação diante dos planos do presidente americano, como relata a professora Vera Stidsen, de 51 anos.

Presença militar e reação internacional

Dois aviões da Dinamarca transportando tropas chegaram recentemente à Groenlândia. Alemanha, França, Finlândia, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia participam do envio em uma operação de reconhecimento como parte do exercício dinamarquês “Arctic Endurance”.

Segundo o Ministério da Defesa da Alemanha, a missão visa explorar possibilidades para garantir a segurança frente às ameaças da Rússia e China no Ártico e será realizada até sábado.

O reforço militar visa preparar as forças para exercícios futuros no Ártico, com contingentes modestos, como os 13 soldados enviados pela Alemanha e um militar pelos Países Baixos.

Trump vem mencionando a anexação da Groenlândia desde o início do seu mandato, intensificando o tom após a ação americana na Venezuela que depôs o presidente Nicolás Maduro.

Em resposta, a primeira-ministra dinamarquesa destacou que há consenso na Otan quanto à necessidade de presença reforçada no Ártico para a segurança europeia e norte-americana, ressaltando o grande investimento da Dinamarca na região, apesar da ironia do presidente americano.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, negou as alegações de ameaça russa à Groenlândia, qualificando-as como “mito”.

Nos próximos dias, uma delegação bipartidária do congresso americano visitará a Dinamarca e a Groenlândia para dialogar sobre a segurança no Ártico e fortalecer relações comerciais, conforme informou o senador democrata Chris Coons.

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