Brasil
Caso Bruno e Dom será julgado em Manaus
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu transferir o julgamento dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips de Tabatinga, na região do Amazonas, para a capital, Manaus.
O Ministério Público Federal solicitou essa mudança para o Tribunal do Júri. Bruno Pereira, indigenista, e Dom Phillips, jornalista britânico, foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, no município de Atalaia do Norte (AM).
Eles estavam visitando comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, que é a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares.
Os dois desapareceram enquanto iam da comunidade São Rafael para Atalaia do Norte, e seus corpos foram achados 10 dias depois, enterrados em uma área de floresta densa.
Segurança e julgamento justo
Em julho, o procurador da República em Tabatinga, Guilherme Diego Rodrigues Leal, argumentou que manter o julgamento em Tabatinga poderia atrasar o processo por ser uma cidade pequena, com cerca de 60 mil habitantes, situada a mais de 1.100 quilômetros de Manaus.
Além disso, o Ministério Público Federal destacou preocupações quanto à segurança dos envolvidos e a imparcialidade dos jurados, que poderiam ser comprometidas caso o julgamento fosse realizado em Tabatinga.
O caso envolve um contexto de conflito entre pescadores e indígenas sobre a exploração dos recursos naturais na região.
Com a decisão judicial, os processos contra os acusados do crime retornarão a tramitação individual, o que pode acelerar o julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados como executores pelo MPF.
Ainda não há data marcada para o júri.
Outros envolvidos
Além deles, Oseney da Costa de Oliveira foi denunciado pelo crime, mas teve a pronúncia excluída pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
Mais cinco pessoas respondem por ajudar a esconder os corpos: Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira.
Rubén Dario Villar, conhecido como Colômbia, também responde processo como suposto mandante das mortes. A Justiça Federal no Amazonas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra ele.
As investigações indicam que Colômbia estaria envolvido com tráfico de drogas e lideraria uma quadrilha de pesca ilegal no Vale do Javari, área de fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
De acordo com a denúncia, Bruno e Dom foram assassinados por se oporem à pesca ilegal na região, promovendo a educação ambiental nas comunidades indígenas.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login