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Caso grave na UTI: técnicos respondem por mortes no Hospital Anchieta

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Três técnicos de enfermagem foram oficialmente acusados pela Justiça do Distrito Federal por sua participação em mortes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga. A decisão foi tomada no dia 17 de março, após o Ministério Público apresentar a denúncia baseada nas investigações do inquérito policial.

Os acusados são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22. O Tribunal do Júri de Taguatinga também decretou a prisão preventiva deles, que continuam detidos sem previsão de soltura enquanto aguardam o julgamento.

O caso ganhou atenção após a descoberta de três mortes suspeitas no final de 2025. As vítimas foram a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos; o servidor público João Clemente Pereira, 63; e o servidor Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos.

Segundo a polícia, a investigação feita pela Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa classificou essas mortes como homicídios triplamente qualificados, por uso de substância tóxica, uso de método que dificulta a defesa das vítimas e outra agravante.

As apurações indicam que Marcos Vinícius e Marcela estiveram envolvidos nas três mortes, enquanto Amanda está ligada a duas delas. Caso sejam condenados, as penas podem chegar a até 90 anos de prisão para dois dos técnicos e 60 anos para a terceira.

Além disso, Marcos Vinícius também é acusado de falsificar e usar documentos falsos e é considerado o principal responsável por aplicar substâncias venenosas diretamente nas veias dos pacientes.

A investigação começou no dia 24 de dezembro de 2025, quando o Hospital Anchieta notificou a polícia depois de identificar irregularidades nas mortes registradas na UTI. A suspeita surgiu após a equipe interna do hospital analisar os óbitos e encontrar evidências de possíveis intervenções indevidas.

Ao revisar documentos médicos e imagens de câmeras de segurança, os investigadores encontraram padrões que não condiziam com os cuidados habituais. As gravações foram fundamentais para a investigação e mostram repetições de ações durante os plantões em que os pacientes morreram. Há indícios de que substâncias foram aplicadas de forma errada em pacientes que estavam estáveis até então. Em um dos casos mais graves, foi usado um produto não recomendado para aplicação na veia, o que pode ter causado uma das mortes.

Foi identificado também um terceiro caso semelhante ocorrido no início de dezembro, levando à criação de uma força-tarefa com a Coordenação de Homicídios, o Instituto Médico Legal e o Instituto de Criminalística para aprofundar as investigações. Mandados de busca foram cumpridos em 12 de janeiro, e os suspeitos foram presos três dias depois em diferentes cidades do Distrito Federal e regiões próximas.

Ainda que o inquérito tenha sido concluído para as três mortes, as investigações continuam, com a polícia revendo outros óbitos ocorridos nos plantões da mesma unidade em que algum dos três acusados estava de serviço. Não há previsão para o fim dessa nova etapa.

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