Conecte Conosco

Notícias Recentes

Casos Master e INSS revelam problemas graves no controle da corrupção no Brasil

Publicado

em

Investigações envolvendo o Banco Master e um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) destacam vulnerabilidades significativas no sistema brasileiro de combate à corrupção, conforme análise da ONG Transparência Internacional. Estes casos foram enfatizados no relatório Retrospectiva 2025, divulgado em 10 de junho, como exemplos claros da infiltração do crime organizado em órgãos públicos e das falhas na governança em setores econômicos essenciais.

O documento acompanha o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), que posicionou o Brasil em 2025 na 107ª colocação entre 182 países, com uma pontuação de 35 em uma escala de 0 a 100, refletindo uma das piores avaliações na série histórica do país.

O relatório destaca a Operação Sem Desconto, que revelou o maior esquema de fraudes previdenciárias do país, prejudicando milhares de beneficiários, e a Operação Compliance Zero, que investigou a maior fraude bancária já identificada no Brasil. No caso do Banco Master, a Transparência Internacional chamou atenção para contratos de elevado valor entre o banco e escritórios de advocacia vinculados a autoridades públicas, além de possíveis conflitos de interesse e interferências nas investigações.

Para a Transparência Internacional, esses episódios evidenciam como a corrupção enfraquece instituições e permite que organizações criminosas influenciem o funcionamento do Estado para interesses ilegítimos. A ONG também critica a resposta do governo federal ao escândalo do INSS e alerta para o aumento expressivo das emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, solidificando o fenômeno conhecido como “captura orçamentária”.

O Banco Master optou por não se pronunciar sobre as menções no relatório, enquanto o INSS não respondeu aos contatos realizados.

Apesar dos desafios apresentados, o relatório registra avanços, como a Operação Carbono Oculto, conduzida pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, que utilizou inteligência financeira para rastrear capitais ilícitos. A rejeição da chamada “PEC da Blindagem” no Senado é citada como um exemplo de mobilização social contra retrocessos na responsabilização de autoridades.

No relatório, a Transparência Internacional aponta diversas recomendações para os três Poderes: ao Executivo, sugere maior transparência nos orçamentos e o fortalecimento das estruturas investigativas; ao Judiciário, recomenda a criação de um código de ética no Supremo Tribunal Federal e a redistribuição do inquérito relativo ao Banco Master; ao Legislativo, propõe regulamentar o lobby, aprimorar o Estatuto da Advocacia e estabelecer uma comissão parlamentar para apurar irregularidades no sistema bancário.

Em resposta, a Controladoria-Geral da União (CGU) questionou o uso do IPC como um indicador direto da corrupção, alegando que o índice reflete apenas percepções de determinados grupos e pode não estar diretamente relacionado à atuação estatal. Segundo a CGU, o caso do INSS demonstra que o esquema foi identificado e interrompido pelo governo, que já iniciou o ressarcimento aos aposentados lesados e adotou medidas para corrigir as falhas regulatórias.

A Controladoria também ressaltou que o aumento nas investigações e na transparência não significa necessariamente um crescimento da corrupção, mas sim uma maior capacidade do Estado em combatê-la de forma efetiva.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados