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Celina Leão assume governo no DF e promete esclarecimentos sobre BRB

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Após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), Celina Leão (PP), vice-governadora, assumiu o governo do Distrito Federal nesta segunda-feira durante cerimônia na Câmara Legislativa.

Eleita como vice na chapa de Ibaneis em 2022, quando era deputada federal, ela é candidata à reeleição ao governo este ano. Em seu discurso, a nova governadora falou sobre o envolvimento do Banco de Brasília (BRB) no escândalo do Banco Master, ressaltando que não participou das decisões relacionadas ao caso e assegurou que haverá rigor nas investigações para esclarecer tudo.

— Não tomei parte em decisões contrárias ao interesse público. O BRB é um patrimônio da população do Distrito Federal. Deixo claro que não participei de decisões, nem fui consultada sobre o assunto. Nosso governo não deixará de agir, e as investigações continuam — declarou Celina. — Este governo não será um obstáculo, mas sim garantirá todas as respostas.

O evento contou com as presenças da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), amiga pessoal de Celina, e da deputada federal Bia Kicis (PL), ambas possíveis candidatas ao Senado na chapa da governadora. Durante seu discurso, Celina afirmou que a transparência será uma prática constante em sua gestão:

— Transparência será rotina, responsabilidade será o método. Sou a mesma pessoa de quatro mandatos, moro na mesma casa. Sou disciplinada, acredito no esforço diário, no trabalho honesto e na consistência das ações — destacou Celina, que ainda reconheceu que Ibaneis “melhorou a vida das pessoas”.

Ibaneis, por sua vez, elogiou as conquistas de sua administração e agradeceu à população pelos sete anos no governo, sem comentar o caso Master. Ele afirmou que seu mandato manteve a estabilidade institucional graças ao bom relacionamento entre os Poderes.

— Vivemos um momento tranquilo, entregando a Celina um governo organizado, com apoio político e popular — disse o ex-governador. — Celina será reeleita e fará o melhor mandato da história do Distrito Federal. Ela conhece a máquina, tem poder de decisão, firmeza e uma qualidade que só as mulheres têm: sensibilidade com quem mais precisa — completou.

Apesar dessas declarações, o governo de Ibaneis enfrentou desgaste recentemente em razão do envolvimento do BRB no escândalo do caso Master.

Com sua candidatura ao Senado ainda indefinida, Ibaneis viu o PL romper com sua administração após o partido protocolar pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a relação entre os bancos e cobrar explicações concretas do governo do Distrito Federal sobre o caso.

Ibaneis, que apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro nas últimas eleições, pretendia disputar o Senado numa chapa com Michelle Bolsonaro. Embora aliados afirmassem haver um acordo entre eles, Michelle negou formalizar qualquer aliança no ano anterior. Agora, em meio ao caso Master, a parceria com Ibaneis pode não ser bem vista entre os bolsonaristas.

No discurso durante a posse de Celina, Bia Kicis frisou que manterá apoio à amiga enquanto líder do diretório local do PL, destacando o envolvimento de membros do partido no governo, como o secretário de Agricultura Rafael Bueno.

Celina, conte conosco. Queremos o melhor para o Distrito Federal, e tenho certeza que você liderará este processo — declarou Bia Kicis.

Bia Kicis participou da reunião com Michelle Bolsonaro que resultou no pedido unânime da CPI. Na ocasião, Kicis mencionou “indícios graves de desvio de recursos” e a necessidade de agir imediatamente.

No início de março, os deputados distritais Thiago Manzoni e João Cardoso do PL romperam com Ibaneis ao votarem contra projeto de socorro ao BRB, resultando na exoneração de servidores indicados por eles.

— Se fazer oposição ao que é incorreto e prejudica a população é ser oposição ao governo Ibaneis, então eu serei — disse Manzoni.

O caso entre Master e BRB

No ano passado, o Banco Central impediu a negociação anunciada entre BRB e Banco Master, que previa a compra de 58,04% das ações do Master pelo banco controlado pelo governo do Distrito Federal, levantando dúvidas tanto políticas quanto no mercado financeiro.

O requerimento da CPI destaca que as negociações ocorreram em momento de instabilidade financeira do Master, o que exige análise rigorosa da adequação das decisões do BRB.

O documento também defende que a população do Distrito Federal tem o direito de ser informada sobre possíveis usos inadequados dos recursos ou garantias dadas sem critérios técnicos.

Em resposta ao pedido dos bolsonaristas, Ibaneis sancionou um projeto para fortalecer o capital do BRB e uma edição extra do Diário Oficial deve ser publicada para oficializar a medida.

Além da tentativa frustrada de adquirir o Banco Master, o BRB enfrenta um rombo financeiro decorrente da compra de carteiras fraudulentas do banco Vorcaro, avaliado em R$ 12,2 bilhões.

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