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Chile apresenta Latam-GPT, IA para combater preconceitos sobre América Latina

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O Chile revelou nesta terça-feira (10) o Latam-GPT, um projeto que oferece à América Latina seu próprio modelo de inteligência artificial, buscando romper com estereótipos comuns em sistemas tradicionais dominados por grupos americanos.

Desenvolvido pelo Centro Nacional de Inteligência Artificial do Chile (Cenia), uma organização privada com fundos públicos, o Latam-GPT conta com a colaboração de universidades, fundações, bibliotecas, órgãos governamentais e organizações civis de países como Chile, Uruguai, Brasil, Colômbia, México, Peru, Equador e Argentina.

“Com o Latam-GPT, estamos posicionando a região como um ator ativo e soberano na economia futura. Estamos no jogo, não apenas como participantes passivos”, declarou o presidente Gabriel Boric durante a apresentação no canal Televisión Nacional.

A inteligência artificial foi criada para eliminar preconceitos e garantir que a representação da América Latina não seja homogênea nem distorcida no cenário mundial, conforme afirmou à AFP o ministro da Ciência do Chile, Aldo Valle. Segundo ele, é fundamental que a região não permaneça apenas como usuária passiva desses sistemas, o que poderia ameaçar suas tradições culturais.

Diferente de um chat interativo, o Latam-GPT é uma enorme base de dados treinada com informações regionais, servindo de base para a criação de aplicações tecnológicas locais, explica Aldo Valle.

Atualmente, o desenvolvimento dos grandes modelos de IA está concentrado principalmente nos Estados Unidos, China e Europa. Projetos similares, como SEA-LION no Sudeste Asiático e UlizaLlama na África, também buscam valorizar suas respectivas culturas.

Para treinar o Latam-GPT, foram coletados mais de oito terabytes de dados, o equivalente a milhões de livros. O projeto foi financiado com aproximadamente 550 mil dólares, principalmente pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), além de acordos com diversas instituições.

A primeira versão foi desenvolvida na nuvem da Amazon Web Services, mas futuramente será treinada em um supercomputador a ser instalado na Universidade de Tarapacá, no norte do Chile, previsto para o primeiro semestre de 2026, com um custo estimado em quase 5 milhões de dólares.

De acordo com Álvaro Soto, diretor do Cenia, os grandes modelos globais contêm apenas uma pequena fração de dados relevantes para a América Latina.

Durante o lançamento, o presidente Boric citou como exemplo o Cerco de Calais, uma batalha histórica entre Inglaterra e França em 1346, que o ChatGPT conhece bem. No entanto, para eventos locais importantes, como o Cerco de Chillán na independência chilena, há muito menos informações disponíveis.

Atualmente, os dados estão principalmente em espanhol e português, mas há planos para incluir também conteúdos em línguas indígenas.

Embora não dispute com gigantes da IA devido a limitações orçamentárias, segundo o professor Alejandro Barros, da Universidade do Chile, o Latam-GPT é uma plataforma gratuita que pode ser adaptada para atender demandas específicas da região, como melhorar a logística e o uso de recursos em hospitais.

Uma das primeiras empresas a usar o Latam-GPT será a chilena Digevo, destinada a criar chats de atendimento ao cliente para companhias aéreas e comércio. Segundo Roberto Musso, diretor da empresa, a ferramenta reconhece gírias, expressões regionais e até o ritmo da fala, minimizando problemas de vieses comuns em outros modelos.

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