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Chileno Zepeda pega prisão perpétua por matar ex-namorada japonesa na França

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A Justiça francesa condenou o chileno Nicolás Zepeda à prisão perpétua nesta quinta-feira (26) pelo assassinato premeditado de sua ex-namorada japonesa Narumi Kurosaki em 2016, no julgamento final deste caso de grande repercussão que ainda não teve o corpo encontrado.

A defesa apresentou o julgamento como a “última chance”, porém o tribunal de Lyon, no leste da França, ultrapassou a pena de 28 anos imposta nos julgamentos anteriores em Besançon e Vesoul.

Zepeda, usando uma camisa polo preta e calça jeans clara, recebeu a sentença cabisbaixo e cobrindo o rosto com as mãos, conforme observou um jornalista da AFP presente no tribunal.

Momentos antes, ele clamou sua inocência várias vezes e chorando: “Eu não matei a Narumi”.

O advogado dele, Robin Binsard, anunciou que Zepeda irá recorrer ao Tribunal de Cassação, a corte superior francesa, que já anulou as apelações em 2023 e ordenou um novo julgamento.

A justiça encerra, ao menos temporariamente, este caso incomum, que envolveu três continentes e mobilizou juízes, um júri popular, imprensa, tradutores e o público em três cidades francesas desde 2022.

Como nos julgamentos anteriores, o tribunal composto por três juízes e nove jurados reconheceu a premeditação do crime e aplicou a pena de prisão perpétua, embora o promotor Vincent Auger tivesse pedido somente 30 anos de reclusão.

Sem o corpo

O tribunal aceitou a versão da acusação de que Narumi faleceu na madrugada de 5 de dezembro de 2016, no quarto 106 da residência universitária Rousseau, em Besançon, após uma viagem inesperada do Chile para a França alguns meses depois do fim do relacionamento.

Ele teria descartado o corpo dela em uma mala na floresta ou rio próximo e invadido suas redes sociais para fingir que a jovem de 21 anos ainda estava viva enquanto retornava ao Chile.

Apesar de o corpo nunca ter sido localizado, a acusação baseou-se em várias evidências que confirmam a premeditação: testemunhos, registros telefônicos, localização do carro alugado, entre outros.

Os investigadores descartaram a hipótese de fuga: carteira, 565 euros, dois cartões bancários, casaco, sapatos, celular e cartão de transporte público de Narumi foram encontrados em seu quarto.

Em 1º de dezembro, Zepeda comprou um recipiente de 5 litros de produto inflamável, fósforos e um pulverizador com água sanitária, e dados de geolocalização mostram que ele permaneceu no quarto por mais de um dia.

Cinco dias depois, em um shopping onde Zepeda estava, um bilhete de trem para o trajeto Besançon-Lyon em nome de Narumi foi comprado, viagem esta que ela nunca fez, segundo passageiros presentes na viagem.

Antes de voltar ao Chile passando por Barcelona, na Espanha, Zepeda teria pesquisado sobre “morte por asfixia” e como verificar se alguém está “vivo ou morto” após um estrangulamento.

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