Brasil
Chuvas fortes em MG causam mais de 70 mortes em Juiz de Fora e Ubá
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou neste domingo, 1.º de março, que 72 pessoas perderam a vida devido às chuvas intensas que atingiram a Zona da Mata na última semana. As tempestades causaram deslizamentos, enchentes e desabamentos de construções nas cidades de Juiz de Fora e Ubá.
Entre as vítimas, há pessoas soterradas em desabamentos e outras levadas pela força da água.
Equipes de resgate continuam empenhadas na busca por uma pessoa desaparecida em Ubá.
65 mortos em Juiz de Fora; último desaparecido encontrado
Em Juiz de Fora, o total de mortos chegou a 65, incluindo 15 crianças e adolescentes. Três corpos ainda aguardam perícia para serem entregues às famílias.
No dia 28, sábado, o Corpo de Bombeiros localizou o corpo da última pessoa desaparecida, Pietro Cesar Teodoro Freitas, de 9 anos, no bairro Paineiras.
As autoridades conseguiram salvar 51 pessoas no município. “As operações contaram com equipes em campo dia e noite, uso de cães farejadores, drones e monitoramento constante das áreas afetadas”, explicou o tenente Henrique Barcellos, porta-voz dos bombeiros.
As chuvas também deixaram muitos desalojados e desabrigados. Mais de 500 pessoas continuam abrigadas em locais públicos, enquanto outras 8 mil foram temporariamente acomodadas em casas de familiares ou amigos.
Fevereiro de 2026 foi o mês com mais chuva dos últimos anos em Minas Gerais, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Juiz de Fora registrou 229,9 mm de chuva entre os dias 22 e 24, superando a média mensal de 170,3 mm.
Sete mortos em Ubá; uma pessoa desaparecida
Em Ubá, foram confirmadas sete mortes, todas adultas, e os corpos já foram entregues aos familiares.
Uma vítima ainda está desaparecida. No município, 145 pessoas foram resgatadas, com mais de 700 desalojados e 26 desabrigados.
As chuvas diminuíram no fim de semana, mas as autoridades alertam que as casas afetadas seguem isoladas devido ao risco.
Os moradores das cidades não devem retornar às residências por conta da instabilidade do terreno.
“Os morros continuam encharcados e instáveis. É fundamental que a população compreenda que o perigo persiste”, ressaltou o coordenador adjunto da Defesa Civil estadual, tenente-coronel Wenderson Duarte Marcelino.
Juiz de Fora tem grande população em áreas de risco
Com morros, encostas e cursos d’água em áreas urbanas, Juiz de Fora é a nona cidade brasileira com maior número de habitantes vivendo em áreas suscetíveis a deslizamentos e enchentes.
São aproximadamente 130 mil pessoas em risco, quase um quarto de seus 540 mil habitantes, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência.
A cidade da Zona da Mata mineira sofre frequentemente com deslizamentos, enxurradas e inundações.
O relevo da região, com vales e encostas, aliado ao clima tropical de altitude e altos índices pluviométricos, explica o grande número de áreas vulneráveis no município.
Como a quarta cidade mais populosa de Minas Gerais, a concentração de moradores em áreas de risco aumenta a chance de tragédias diante de eventos climáticos intensos.
O Rio Paraibuna atravessa Juiz de Fora, passando pela Avenida Brasil, uma via importante da cidade. Este rio drena toda a bacia urbana de água pluvial, conforme o plano local de contingência.
Normalmente, a temporada de altas temperaturas e chuvas ocorre entre outubro e abril.

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