Centro-Oeste
Cidade Estrutural: 22 anos de progresso e desafios
A Cidade Estrutural celebrou seu 22º aniversário nesta terça-feira (27), um marco que reflete uma história de luta pelo direito à moradia e pela permanência dos moradores na região. A localidade surgiu da ocupação de catadores nas proximidades do antigo lixão de Brasília e, mesmo enfrentando desafios, alcançou avanços importantes na infraestrutura.
A origem da Estrutural está ligada ao crescimento de uma ocupação irregular perto do aterro sanitário do Distrito Federal. Famílias foram se estabelecendo na área, que cresceu apesar das tentativas de remoção. Em janeiro de 2004, a região foi oficialmente reconhecida como a 25ª Região Administrativa, integrando o Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA). Atualmente, a Cidade Estrutural e o bairro Santa Luzia somam em torno de 50 a 55 mil habitantes.
De acordo com o administrador regional, Alceu Prestes, a história da cidade antecede o reconhecimento oficial. “A Estrutural existe desde a construção de Brasília, ligada ao antigo lixão. São 22 anos como região administrativa, mas sua trajetória começou bem antes”, explica. Para ele, essa data representa a consolidação de uma comunidade formada pela resistência popular. “É uma cidade de pessoas guerreiras, que enfrentaram muitos desafios para se estabelecerem aqui”. Atualmente, a região está passando por um período intenso de obras e investimentos públicos, incluindo a construção da Unidade Básica de Saúde 3, uma Unidade de Pronto Atendimento e duas escolas novas. “Hoje, a Estrutural está como um grande canteiro de obras”, destaca.
Outro foco importante é a urbanização do bairro Santa Luzia, que abriga cerca de 20 mil pessoas. Conforme Alceu Prestes, estão sendo implantadas redes de água e esgoto, drenagem, pavimentação e iluminação pública. “Essa é uma necessidade antiga e um compromisso histórico. Estamos urbanizando uma área que ficou vulnerável por mais de 20 anos”, afirma. Neste ano, não haverá festa pública para celebrar o aniversário, pois a prioridade é investir em infraestrutura. “Com tantas necessidades, prefiro dedicar os recursos a melhorias em água, esgoto, escolas e saúde”, justifica o administrador. A programação comemorativa será feita por meio de ações e eventos colaborativos ao longo do ano.
Manoel Santana, aposentado e morador da Cidade Estrutural há 33 anos, testemunhou o início da região, quando predominavam barracos e faltavam serviços básicos. Ele reconhece os avanços, especialmente na infraestrutura, mas ressalta que muitos problemas antigos ainda existem, como a limpeza urbana. “Aqui era uma invasão, depois vieram os calçamentos e muitas melhorias. Mas ainda falta limpeza, que não está boa”, comenta. Para ele, a população também tem responsabilidade em colaborar para manter a cidade organizada. Sobre a comemoração do aniversário, acredita que ainda há muito a melhorar para que a data seja celebrada plenamente. “Melhorou bastante, mas ainda faltam muitas melhorias nas ruas”, conclui.
Maria Rita Sabiá, auxiliar de limpeza de 56 anos, mora na cidade há cerca de 20 anos e percebe as transformações de forma positiva. “Hoje é uma cidade bonita e maravilhosa. Para mim, é ótimo morar aqui”, enfatiza. Ela destaca a localização e o acesso a serviços como pontos favoráveis. “Tem escola, transporte, posto de saúde. Melhorou muito”, avalia. Seu principal desafio atual é a segurança pública, em especial contra pequenos furtos. “Precisamos de mais policiamento nas ruas, porque furtos de celulares e bicicletas ainda são frequentes”, relata. Ainda assim, ela considera que há motivos para celebrar. “Vale a pena comemorar, eu amo morar aqui”, finaliza.
Maria Montes, aposentada há quatro anos na Cidade Estrutural, reconhece os progressos, mas mantém uma visão cautelosa quanto à oferta de serviços públicos. “A cidade melhorou, mas ainda está mediana. A segurança deixa a desejar e a saúde enfrenta dificuldades”, afirma. Ela ressalta que, apesar das melhorias, a região ainda está atrás de outras áreas do Distrito Federal. “Está melhor, mas ainda temos atrasos”, conclui.

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