Economia
Com apoio do dólar e títulos públicos, juros caem antes do Copom
O cenário global de desvalorização do dólar em relação a moedas de países emergentes e a estabilização dos títulos do Tesouro americano apoiaram a queda das taxas de juros futuros negociadas na B3, que recuaram pelo quarto dia consecutivo, às vésperas da decisão do Banco Central e do Federal Reserve nesta quarta-feira.
Assim como na semana anterior, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs) de prazo mais longo tiveram as maiores quedas durante o pregão. Já as taxas dos DIs de curto prazo recuaram pouco, refletindo a expectativa amplamente consensual de manutenção da Selic em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central esta semana.
Internamente, o debate político eleitoral ganhou destaque. Alguns operadores avaliam que, após pesquisas desfavoráveis ao presidente Lula divulgadas na semana passada, esse cenário ainda pode estar influenciando os juros. Nesta segunda-feira (26), entretanto, não houve a divulgação de pesquisas eleitorais significativas. O boletim Focus, que manteve as expectativas de mercado estáveis, teve impacto neutro na curva de juros.
Após o fechamento dos negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 caiu de 13,696% na última sexta-feira para 13,68%. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,032% para 12,98%, enquanto o DI para janeiro de 2031 encerrou em 13,295%, contra 13,356% anteriormente.
Por volta das 18h, o rendimento da T-Note de dois anos caiu para 3,592%, o da T-Note de 10 anos recuou para 4,215% e o do T-Bond de 30 anos diminuiu para 4,806%, indicando uma redução na inclinação da curva americana. Em um dia com poucas notícias e indicadores locais relevantes, a renda fixa brasileira contou novamente com o suporte do mercado externo.
A moeda americana fechou o dia com leve queda de 0,12% frente ao real, sendo cotada a R$ 5,2797, após atingir o menor valor intradiário desde junho de 2024, a R$ 5,26. Na semana passada, o dólar acumulou queda de 1,6% contra o real.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, aponta que "o dólar reflete a situação política. Os investidores estrangeiros estão enxergando oportunidades aqui, e a eleição parece ser o principal fator". Segundo ele, a principal notícia das últimas pesquisas foi a menor probabilidade de reeleição do presidente Lula, que deve manter política fiscal expansionista caso seja reeleito.
O instituto Paraná Pesquisas divulgará uma nova pesquisa eleitoral nesta quinta-feira, que, se confirmar a tendência recente, poderá continuar influenciando positivamente os ativos nacionais, observa Tavares. Ele reforça que "o cenário de investimento externo tem sido bastante favorável".
No cenário doméstico, a Petrobras anunciou redução de R$ 0,14 por litro na gasolina vendida às distribuidoras, uma queda de 5,2%, a partir de amanhã. Essa decisão, já esperada pelo mercado, levou a revisões para baixo nas projeções do IPCA 2026: a Warren reduziu a previsão de 4,50% para 4,40%; a Logos Economia, de 4,2% para 4,1%; e a Quantitas, de 4,23% para 4,15%.
Para a reunião do Copom desta semana, há consenso de que a taxa Selic será mantida, mas o mercado debate possíveis alterações no comunicado que indiquem com mais clareza uma redução dos juros já em março. Segundo Tavares, "ninguém mais acredita que o Banco Central tomará decisão de corte esta quarta-feira, embora existam condições para iniciar o ciclo. A postura do BC permanece mais conservadora".

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