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Comece a investir com segurança
Com a chegada de um novo ano, muitas famílias aproveitam para reorganizar suas finanças e estabelecer um orçamento doméstico mais equilibrado, evitando imprevistos. Investir pode ser um grande aliado nessa jornada, pois permite aumentar o patrimônio, proteger o dinheiro da inflação e alcançar a independência financeira. Contudo, a falta de conhecimento, o medo de perdas e a complexidade do mercado financeiro ainda assustam muitos iniciantes.
Especialistas ouvidos pela Folha de Pernambuco afirmam que investir pode ser bem mais simples do que parece. É necessário apenas paciência, informação e disciplina para planejar investimentos seguros e construir um patrimônio sólido.
Segundo o relatório Raio X do Investidor Brasileiro, feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, apenas 37% da população brasileira, cerca de 59 milhões de pessoas, possuem investimentos financeiros em 2024.
Ainda que 33% afirmem ter economizado dinheiro este ano, menos da metade investiu o valor poupado. Ao não investir, essas pessoas deixam de proteger seu poder de compra contra a inflação e perdem a chance de aumentar seu patrimônio com juros compostos.
Entendendo o orçamento
Para quem está começando, o sócio da Pecon Investimentos, Caio Viana, recomenda analisar o orçamento doméstico: saber exatamente quanto recebe, gasta e consegue poupar.
“Antes de tudo, é importante conhecer a sua situação financeira. A partir daí, defina seus objetivos de vida e elabore um planejamento financeiro para investir mensalmente visando alcançá-los”, explica Caio.
Eles reforça que todos têm perfis diferentes, e a insegurança no início é normal. Para minimizar riscos, sugere ativos conservadores ao começar e aconselha o investidor a buscar informações sobre os produtos financeiros, como tipo, impostos, liquidez e riscos envolvidos.
Cuidados ao investir
Investir com segurança exige cuidado para proteger o patrimônio. Concentre-se em conhecer seu perfil de risco — conservador, moderado ou arrojado — diversificar a carteira, estudar o mercado, evitar decisões impulsivas e manter uma reserva de emergência.
A assessora de investimentos, Mariana Teixeira, alerta para desconfiar de ofertas que parecem boas demais. “Retorno alto geralmente significa risco elevado. Muitos investidores, por exemplo, aceitaram CDBs com rendimentos maiores, mas também com riscos maiores”, observa.
É fundamental verificar se a instituição onde pretende investir é autorizada e fiscalizada pelo Banco Central. Plataformas como o Banco Data oferecem análises gratuitas sobre a saúde dessas instituições.
Quem busca mais segurança pode optar por ativos de renda fixa protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como CDB, LCI, LCA e poupança, que garantem até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição. Já os títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional via Tesouro Direto contam com garantia do governo federal.
Conhecimento é essencial
Entender o próprio perfil é crucial para não entrar em investimentos inadequados. “Há uma grande diversidade de ativos para atender aos diferentes objetivos de vida. Cada produto foi criado para um propósito específico”, explica Mariana.
O perfil do investidor pode variar conforme a fase da vida. Caio lembra que a situação muda, por exemplo, entre estar solteiro e morar com os pais ou estar casado e com filhos.
A tecnologia facilita o acesso
Hoje, a tecnologia é uma grande aliada de quem quer começar a investir, ampliando o acesso aos produtos financeiros. Segundo a ANBIMA, 49% dos investidores usam aplicativos bancários para aplicar seu dinheiro.
“Qualquer pessoa com uma conta bancária comum pode acessar diversos investimentos facilmente, sem precisar ir até a agência”, destaca Mariana.
Experiência pessoal
O engenheiro de software Lucca D’ Errico, 31 anos, começou a investir ao perceber a importância de guardar dinheiro para atingir metas como reserva financeira, casa própria e troca de carro.
“O principal benefício é a segurança de saber que, em momentos difíceis, não estou desamparado, graças ao planejamento. Além disso, perceber que o dinheiro rende e trabalha por conta própria aumenta a motivação”, conta.
Há um ano, Lucca buscou ajuda especializada com Caio Viana. Segundo ele, a assessoria permitiu avançar no planejamento financeiro, deixando tudo mais estruturado.
Lições aprendidas
O apoio também foi essencial para superar dificuldades. O casal de Lucca tinha investimentos em CDBs do Banco Master, que foi liquidado recentemente. Apesar de terem conseguido recuperar o valor, aprenderam que retorno alto pode trazer riscos elevados.
“Depois disso, passamos a acompanhar mais as notícias e investir com mais cautela”, avalia.
O importante é começar
Especialistas destacam que o mais importante é iniciar. “Investir é para todos. Quem tem grandes carteiras começou pequeno”, enfatiza Caio.
Mariana reforça a importância da disciplina: “Qualquer valor é válido para criar o hábito e começar a formar uma carteira de investimentos, e isso é o mais importante”.

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