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Como a inteligência artificial pode ajudar nos estudos para concursos?

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O uso de inteligências artificiais (IAs) para auxiliar na preparação para concursos públicos já está cada vez mais comum. Essas ferramentas beneficiam especialmente os concurseiros que não têm acesso a materiais mais avançados e buscam, por exemplo, resumos e novas questões para aprimorar seus estudos.

Entretanto, é importante usar as IAs com cuidado. Segundo Victor Gammaro, gerente de conteúdo do Direção Concursos e especialista em concursos públicos, toda tecnologia nova pode conter erros e inconsistências, cabendo ao estudante avaliar o que é relevante para seu aprendizado.

“É fundamental que o estudante entenda que as IAs podem cometer equívocos. Nos estudos para concursos, isso é ainda mais evidente devido às constantes atualizações legislativas nos editais, as quais muitas vezes as IAs não acompanham”, explicou o especialista.

Gammaro destaca que a inteligência artificial deve ser utilizada apenas como um material complementar, pois não substitui métodos tradicionais como aulas e cursos. A tecnologia deve apoiar os estudos, mas não servir como fonte principal.

Aplicações

A inteligência artificial pode ser útil em concursos públicos tradicionais, que apresentam padrões de provas consolidados e costumam ser organizados por bancas conhecidas, como FGV e FCC. Isso oferece uma base sólida para que a ferramenta funcione com maior precisão.

Por outro lado, a IA não é recomendada para a correção de redações e questões discursivas, pois essas avaliações dependem do contexto do texto, do examinador e do edital específico, aspectos difíceis para a tecnologia analisar adequadamente.

No entanto, a inteligência artificial consegue auxiliar na correção de erros gramaticais nesses textos, desde que utilize parâmetros como o espelho de correção da banca ou o Acordo Ortográfico Brasileiro.

“Para pessoas com dificuldades na grafia e na formatação básica de textos para provas discursivas, a IA pode ajudar bastante. Mas, em determinado momento, a supervisão humana será essencial”, avaliou Victor Gammaro.

Dicas para uso

Ao pedir resumos para a IA, é importante incluir no “prompt” documentos ou textos que abordem o tema desejado, como apostilas, vídeos de aula ou trechos de normativas judiciárias.

Um exemplo de prompt para solicitar um resumo pode ser: “Vou fornecer um trecho do meu material; utilize apenas esse conteúdo como referência e, se algo faltar, responda ‘não consta’. Gere (1) um resumo no formato (inserir formato desejado) com os pontos cobrados em provas de concursos da banca (inserir nome da banca), (2) uma seção ‘atenção/pegadinhas/exceções’, (3) e um exemplo prático para cada ponto. Mantenha tudo em até (inserir número de linhas) linhas, com linguagem adequada para concurseiros.”

Cleber Zanchettin, especialista em inteligência artificial e professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explica que a escolha da ferramenta é decisiva para a qualidade das respostas.

“Para planejamento, explicações, resumos e criação de exercícios, IAs generalistas, como Chat GPT, Gemini e Claude, funcionam bem. Para tarefas específicas do edital, como organizar o conteúdo conforme a banca, priorizar tópicos e recorrência, plataformas nacionais focadas em concursos, como a IA da Aprovação e Clipping.IA, tendem a oferecer uma experiência superior”, esclarece o professor.

Com o apoio das IAs, o concurseiro também pode criar questões e simulados. Para isso, é necessário anexar um edital ou simulado para a IA usar como base, além de pedir questões de um único assunto por prompt para garantir qualidade.

“Quanto mais perguntas e assuntos solicitados simultaneamente, maior o risco da IA ser superficial, repetir padrões, errar detalhes e perder a fidelidade ao estilo da banca. O ideal é trabalhar em lotes pequenos e focados, de 5 a 15 questões por tópico”, explicou Cleber Zanchettin.

Um exemplo de prompt para questões é: “Objetivo: gerar questões inéditas no padrão da banca (inserir nome). Use como base somente o documento anexado; caso falte algo, responda ‘não consta’. As questões devem seguir a seguinte configuração: Disciplina (inserir área), Nível (fundamental, médio, técnico ou superior), Formato (inserir estilo e órgão de referência), Quantidade (número). Cada questão deve conter: 1) Enunciado; 2) Alternativas; 3) Gabarito; 4) Comentário explicando as respostas; 5) Fonte citada (sem invenções).”

Mesmo ao receber os conteúdos gerados pela IA, o cuidado deve continuar. Os especialistas recomendam que o estudante questione e peça esclarecimentos sobre as respostas para aprimorar o resultado final dos estudos.

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