Economia
Como aumentar sua aposentadoria descartando contribuições baixas
Trabalhadores podem estar recebendo menos aposentadoria do que deveriam por desconhecerem a possibilidade de eliminar contribuições com valores baixos que reduzem a média salarial. Especialistas explicam que isso ocorre devido às mudanças trazidas pela Reforma da Previdência (EC 103/2019).
Cerca de 70% dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm valor até um salário-mínimo, conforme dados da Previdência Social divulgados em janeiro de 2025. Em 2024, dos 40,7 milhões de benefícios, 28,5 milhões estavam no valor mínimo, com o piso reajustado em janeiro de 2025.
A legislação permite excluir da média as contribuições com menor valor, desde que o segurado já tenha cumprido o tempo mínimo exigido para aposentadoria. Na prática, se uma pessoa contribuiu por 22 anos, mas necessita apenas de 20 para se aposentar, pode eliminar os dois anos com menores salários para aumentar o benefício.
Welligton Fonseca, advogado especializado em direito previdenciário, destaca que essa análise ganhou mais importância após a Reforma, que passou a considerar 100% das contribuições desde julho de 1994, em vez de apenas 80% maiores. “Antes, o sistema descartava automaticamente as menores contribuições. Atualmente, o cálculo é integral, e períodos com salários muito baixos, quando desnecessários, acabam diminuindo o benefício”, explica.
Porém, essa estratégia exige atenção. Ao eliminar contribuições, o período deixa de ser contabilizado para o tempo total e para as regras de transição. Além disso, é importante lembrar do divisor mínimo. “Desde 2022, o cálculo não pode considerar menos de 108 contribuições (equivalente a 9 anos). Se o descarte for exagerado, o valor final pode ser prejudicado”, alerta Welligton.
Revisar o histórico também possibilita corrigir falhas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). “Há casos de períodos não registrados ou contribuições abaixo do mínimo. Resolver essas questões antes do pedido evita recusas ou valores menores por erro nos dados”, orienta o especialista.
Segundo Welligton, o planejamento previdenciário é fundamental para identificar a regra mais vantajosa. “Cada caso é diferente. Avaliar possíveis descartes e conversões antes de solicitar a aposentadoria evita perdas financeiras por falta de informação”, conclui.

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