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Como é feito o exame toxicológico para tirar a CNH? Quais drogas são proibidas?

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Desde dezembro de 2025, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) exige que quem deseja tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motocicletas) e B (carros) faça o exame toxicológico de longa duração. Antes, essa regra valia só para as categorias C (caminhões), D (ônibus) e E (carretas).

Segundo Álvaro Pulchinelli Junior, médico patologista clínico, toxicologista e membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o exame é realizado analisando a queratina.

Para isso, são coletadas amostras de cabelo, pelos ou unhas para detectar o uso de drogas ilegais pelo candidato.

O procedimento tem três fases: a coleta da amostra que é enviada ao laboratório; o cabelo é triturado, moído e dissolvido para extrair as substâncias; depois, o material é examinado por um equipamento que identifica os compostos presentes.

“Geralmente, uma droga pode ser detectada no cabelo por cerca de 90 dias”, explica Pulchinelli. “Se a coleta for em pelos do corpo, a detecção pode chegar até 180 dias.”

O teste verifica a presença das seguintes substâncias:

  • Anfetamina;
  • Metanfetamina;
  • MDA;
  • MDMA;
  • Anfepramona;
  • Femproporex;
  • Mazindol;
  • Carboxy THC (canabinoide);
  • Cocaína;
  • Benzoilecgonina;
  • Cocaetileno;
  • Norcocaína;
  • Morfina;
  • Codeína;
  • Heroína.

De acordo com Jean Haratsaris, químico e superintendente do laboratório Chromatox, da Dasa, as drogas mais detectadas entre os examinados são cocaína, maconha (canabinoides), opiáceos (morfina, codeína e heroína), anfetaminas e metanfetaminas.

Haratsaris destaca que não há método confiável para acelerar a eliminação das drogas, como dietas ou xampus. “A única maneira de passar no exame é ficando um tempo sem usar as substâncias. Quem não parar será detectado.”

Exame toxicológico é igual a exame antidoping?

Não. O exame para CNH é diferente do antidoping usado por atletas, embora tenham pontos em comum.

Pulchinelli comenta: “Tanto no antidoping quanto no exame toxicológico há muito cuidado na cadeia de custódia: na coleta, na identificação e no processamento das amostras para evitar erros ou trocas de resultados.”

Outra semelhança é que medicamentos receitados podem ser confundidos com drogas ilícitas no teste.

Pulchinelli explica que algumas substâncias podem aparecer no exame devido a uso de remédios prescritos, o que é permitido. O que não pode ocorrer é o consumo sem justificativa médica.

Por exemplo, se alguém com dor crônica usa morfina, isso aparecerá no exame, mas se houver prescrição médica válida, o uso é legítimo. O resultado positivo é enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), mas com observação da justificativa clínica.

Por outro lado, drogas como cocaína não têm uso médico justificado e, portanto, não podem ser confundidas.

Casos complexos são analisados por médicos revisores especializados de cada laboratório de exames toxicológicos.

Por que o exame é necessário?

Haratsaris afirma que o objetivo principal do exame é evitar acidentes sérios no trânsito. “Por detectar drogas por períodos mais longos, o teste identifica usuários frequentes ou recentes, sendo mais confiável do que exames de urina e saliva, que detectam drogas por poucos dias.”

Pulchinelli enfatiza que o uso de drogas não traz benefícios para o motorista. “No curto prazo, o consumo coloca a vida em risco porque prejudica a capacidade de dirigir e de fazer escolhas. A longo prazo, as drogas causam danos ao coração, rins, fígado e ao sistema nervoso central.”

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