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Como os iranianos se comunicam com a internet bloqueada?
Os iranianos estão enfrentando um corte da internet imposto por autoridades há mais de duas semanas, segundo a organização Netblocks, que monitora a liberdade de comunicação online. No entanto, a população tem diversas maneiras de superar essa limitação.
Rádio de ondas curtas
Com sede na Holanda, a Radio Zamaneh começou a transmitir programas em persa via ondas curtas durante os protestos de janeiro no Irã.
Rieneke van Santen, diretora da rádio, explicou que é difícil para o governo bloquear essas ondas, já que a transmissão é de longa distância. As pessoas podem acessar o programa com rádios simples e baratos, que são uma solução emergencial típica.
O transmissor está localizado mais perto da Holanda do que do Irã, mas sua localização exata não foi revelada.
Telefonemas
Alguns iranianos ainda conseguem fazer chamadas fixas para o exterior, o que é surpreendente, conforme comentou Mahsa Alimardani, da organização de direitos humanos Witness. Por receio da vigilância, evitam conversas políticas, como sobre a morte do aiatolá Ali Khamenei.
Os cartões telefônicos pré-pagos são caros e, surpreendentemente, duram menos do que o indicado. De acordo com Rieneke van Santen, as pessoas os utilizam principalmente para ligar para familiares em momentos críticos, como após um atentado, para garantir que estão vivos.
VPNs
Redes privadas virtuais (VPNs) são usadas para acessar internet criptografada, mas dependem de alguma conectividade, que está em aproximadamente 1% do normal no Irã, segundo Netblocks. Usuários de VPN têm recebido avisos no celular, provavelmente de autoridades.
Antes da crise, milhões usavam o serviço canadense Psiphon, que dificulta a detecção melhor que VPNs comuns, informou o especialista Keith McManamen.
Atualmente, o número de usuários da Psiphon caiu drasticamente, mas a situação muda constantemente. Um serviço americano chamado Lantern também é popular no país.
TV por satélite
Uma ONG americana chamada NetFreedom Pioneers criou a Toosheh, tecnologia que utiliza TV por satélite para enviar dados criptografados para os iranianos.
Os usuários gravam esses dados em um pendrive e conseguem descriptografá-los com um aplicativo no telefone ou computador.
Em 2025, cerca de 3 milhões de pessoas usavam a Toosheh no Irã, com milhares acessando desde o início do bloqueio. Segundo Emilia James, diretora da ONG, muitos programas abordam segurança pessoal e digital.
Como a conexão se dá por recepção de transmissão, os usuários não podem ser detectados.
Starlink
O serviço de internet via satélite Starlink foi usado para enviar informações para fora durante os protestos, mesmo com o governo tentando bloquear as comunicações.
Porém, os equipamentos são caros e difíceis de obter, especialmente em regiões pobres e com forte repressão, conforme relatado por Mahsa Alimardani.
A Anistia Internacional recebeu relatos de operações policiais e prisões de pessoas que possuíam equipamentos Starlink. Quem é pego usando esses dispositivos pode enfrentar penas graves, incluindo a morte, alerta Raha Bahreini, pesquisadora da ONG.

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