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Conflito no Irã aumenta vendas de drones ucranianos
Desde o início do conflito no Irã, os fabricantes ucranianos de drones interceptores estão sobrecarregados com centenas, até milhares, de pedidos do Oriente Médio, aguardando autorização de seu governo para exportação.
A invasão russa em 2022 mergulhou a Ucrânia em um cenário de caos e violência, mas também impulsionou o país a se tornar um dos mais avançados no desenvolvimento de drones militares.
Atualmente, a Ucrânia possui centenas de fabricantes produzindo esses dispositivos em grande escala, além de um exército altamente experiente no uso dessas tecnologias.
O conflito no Oriente Médio evidenciou a importância dos interceptores, que são projetados para destruir drones inimigos no ar.
A Ucrânia é frequentemente atacada por drones Shahed, modelados inicialmente pelo Irã e posteriormente produzidos em grande quantidade pela Rússia. Em resposta, o país desenvolveu sistemas de defesa acessíveis e eficientes, incluindo interceptores.
Essa expertise está em alta demanda pelos países do Golfo, alvos frequentes desses drones em retaliação a ataques israelenses e americanos desde fevereiro.
Representantes dessas nações buscam firmemente acesso aos equipamentos ucranianos, segundo relatos de fabricantes e autoridades locais.
O grupo General Cherry, um importante fabricante privado dos interceptores anti-Shahed chamados “Bullet”, recebeu milhares de solicitações de quase todos os países do Oriente Médio afetados pelo Irã, conforme declarou à AFP o porta-voz Marko Kuchnir.
O interesse é grande, abrangendo representantes governamentais, empresas privadas e intermediários.
Até o momento, um país conseguiu adquirir oito unidades, porém sem carga explosiva, tornando-os inúteis segundo um alto funcionário ucraniano que pediu anonimato.
Embora as exportações de material militar estejam amplamente proibidas desde o início do conflito, o presidente Volodimir Zelensky propôs ajuda aos países do Golfo e aos Estados Unidos, buscando seu apoio contra a Rússia.
Mesmo com a recusa do ex-presidente americano Donald Trump em aceitar ajuda, a Ucrânia enviou mais de 200 especialistas militares ao Oriente Médio para compartilhar conhecimento e demonstrar suas capacidades.
Zelensky pretende fechar acordos duradouros sobre drones com as capitais envolvidas para financiar a produção nacional, que atualmente opera a metade da capacidade por falta de recursos.
Enquanto isso, o presidente critica países que tentam adquirir drones ucranianos sem passar pelo governo, e fabricantes que buscam lucros rápidos.
Segundo ele, as empresas fornecedores de drones ao exército ucraniano são financeiramente sólidas e podem enfrentar sanções severas em caso de descumprimento.
Os produtores garantem que o fornecimento ao exército não será afetado e que o risco de a Rússia se apropriar de suas tecnologias não aumentará.
“Estamos prontos para ajudar, mas somente com a aprovação do governo”, assegura Ares, porta-voz do fabricante ucraniano Skyfall.
Com o rosto parcialmente coberto e utilizando um pseudônimo devido à sensibilidade da indústria, Ares demonstrou o interceptor P1 Sun à imprensa, considerado um dos sistemas mais eficazes contra os drones Shahed.
A Skyfall também destaca que o P1 Sun é o interceptor mais econômico do mundo, custando cerca de 1.000 dólares por unidade e com capacidade de produção mensal de até 50 mil unidades, viabilizando a exportação de parte dessa produção.
Segundo Zelensky, “os drones são como o petróleo para nós”.
No entanto, além dos dispositivos, a principal vantagem da Ucrânia é a experiência de combate e a integração desses drones nas Forças Armadas.
Por outro lado, especialistas, como Sergui Zgurets, ponderam que os países do Golfo, com recursos financeiros muito superiores aos da Ucrânia, provavelmente optarão por defesas aéreas convencionais a longo prazo.
Há também um debate ético entre o crescimento da indústria de drones e os sacrifícios dos soldados na linha de frente.
Um comandante ucraniano da unidade de drones refletiu que enquanto uns enriquecem com a indústria, outros acabam mortos ou feridos, apesar de todos parecerem lutar pela mesma causa.


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