Economia
Conflito no Oriente Médio não deve alterar decisão do BC sobre juros, diz Rogério Ceron
Rogério Ceron, secretário do Tesouro, analisa que enquanto o preço do barril de petróleo permanecer entre US$ 75 e US$ 85 devido ao conflito recente no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o Brasil não enfrentará pressões inflacionárias imediatas.
Ele destaca que essa situação não impacta significativamente o cenário previsto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que indicou no seu relatório a expectativa de iniciar a redução da taxa de juros em março. De acordo com o boletim Focus, a taxa Selic pode recuar para 14,5%.
Rogério Ceron afirmou: “Sem fazer suposições, parece que o cenário está definido e, inicialmente, não há um efeito expressivo. Se o petróleo se mantiver nesse valor, combinado à valorização cambial ocorrida, a pressão inflacionária não será significativa. Portanto, não espero mudanças no roteiro planejado pelo Banco Central.” Ele participou da terceira edição do Rumos 2026, promovido pelo Valor Econômico, com debates sobre economia, segurança pública e política, realizado no hotel Rosewood em São Paulo.
O secretário mencionou que, no futuro, o processo de corte nos juros pode interromper-se antes do esperado, caso o cenário de incertezas e o aumento mais intenso do preço do petróleo e seus reflexos nos preços continuem a crescer.
Segundo ele, “é possível que o movimento de queda da inflação, inicialmente favorecido pela forte valorização cambial, não se beneficie tanto desse cenário, mas a pressão inflacionária permanecerá moderada, a menos que o custo do barril ultrapasse US$ 100, o que ocasionaria impactos maiores.”
Rogério Ceron também destacou os efeitos positivos no aspecto fiscal, já que o Brasil é um exportador relevante. O aumento no preço do petróleo gera receitas maiores com royalties e dividendos da Petrobras, elevando as expectativas para as receitas previstas no orçamento, estimadas acima de R$ 30 bilhões.
Ele conclui que, embora a guerra afete negativamente o crescimento mundial, os efeitos fiscais para o Brasil não são desprezíveis, referindo-se ao contexto de 2021 e 2022, quando o aumento do petróleo teve impacto fiscal significativo.
Rogério Ceron enfatizou que, apesar da incerteza, o Brasil está bem posicionado, sendo um dos países que mais recebem realocação de recursos globalmente. “O Brasil é atraente por sua estabilidade e pela ausência de conflitos, mesmo considerando eventos pontuais, como na Venezuela. Isso faz do país um destino seguro para diversificação de investimentos no mundo.”

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