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Conflito no Oriente Médio: O que muda para o preço do petróleo, dólar e inflação?
Pesquisadores e analistas do mercado financeiro estão avaliando como a escalada militar no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a resposta do governo de Teerã, pode impactar a economia mundial.
Especialistas consultados acreditam que haverá um aumento no preço do petróleo, valorização do dólar e do ouro, além de possíveis efeitos inflacionários globais.
O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a sexta-feira em US$ 73 e já alcançava R$ 80 no mercado de balcão. Luiz Carlos Prado, professor de Economia Internacional da UFRJ, projeta que o preço do barril pode chegar a US$ 100, devido às tensões no Oriente Médio.
O Irã é o oitavo maior produtor mundial de petróleo bruto, com 3,2 milhões de barris diários em 2024, e quarto entre os membros da Opep. A região é crucial para a exportação global de petróleo, especialmente o Estreito de Ormuz, através do qual passam cerca de 20 milhões de barris diariamente, ou 25% do consumo mundial.
Após os ataques, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz, o que embora não confirmado oficialmente, levou empresas petrolíferas e de transporte a desviarem seus navios da região.
Principais produtores mundiais de petróleo (milhões de barris/dia):
- Estados Unidos – 13,20
- Rússia – 10,17
- Arábia Saudita – 8,95
- Canadá – 5,57
- Iraque – 4,26
- China – 4,21
- Emirados Árabes Unidos – 3,32
- Irã – 3,25
- Brasil – 3,25
- Kuwait – 2,56
Essa rota marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, uma passagem estratégica para produtores como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes, além de volumes significativos de gás natural liquefeito do Catar.
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz pode provocar alta nos preços do petróleo e instabilidade nos mercados globais, alerta o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Dados indicam uma queda de 70% no tráfego de navios na área até o sábado à noite, com 150 navios petroleiros e de gás parados nas imediações.
Luiz Carlos Prado afirma que, se o bloqueio for prolongado, poderá desencadear uma recessão global devido aos impactos monetários e financeiros.
Investidores estão buscando segurança em ativos tradicionais, resultando em valorização do dólar, ouro e títulos do tesouro dos EUA, segundo Luan Aral, especialista em câmbio da Genial Investimentos.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ressalta que o capital flui para títulos soberanos de economias centrais, enquanto moedas emergentes enfrentam desvalorização temporária.
Além disso, o conflito provocou atrasos em voos em importantes centros aéreos, como Dubai e Doha, com milhares de voos atrasados ou cancelados, maior impacto no transporte aéreo global desde a pandemia da Covid-19.
Luan Aral observa que, inicialmente, as ações das companhias aéreas sofrerão perdas, mas se a tensão aumentar, o impacto será mais severo.
Por outro lado, petroleiras brasileiras como Petrobras, Prio e Petro Recôncavo podem se beneficiar da alta global no preço do petróleo, porém tudo dependerá do desenrolar da situação.
Para Luiz Carlos Prado, a crise atual se junta a outras instabilidades globais, como políticas tarifárias, impactando principalmente países de renda média que dependem de uma ordem internacional estável para relações comerciais e investimentos.
Ele enfatiza que a decisão do conflito foi tomada sem aprovação do Congresso dos EUA, refletindo uma instabilidade política que afeta a ordem econômica mundial, e prevê um período de instabilidade prolongada.
Segundo Prado, a incerteza atual somada a desordens econômicas globais dificulta o planejamento e investimento internacional.

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