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Conflitos voltam a crescer, alerta papa Leão XIV
O papa Leão XIV expressou uma análise preocupante sobre a situação política global nesta sexta-feira (9), criticando o aumento do uso da força entre os países, enquanto seu país de origem aumenta suas demonstrações militares.
Durante seus votos de Ano Novo ao corpo diplomático, o papa americano com dupla nacionalidade peruana fez uma intervenção firme, destacando a “fragilidade alarmante do multilateralismo” e o surgimento de um “fervor bélico”.
No início de seu discurso em inglês, dirigido a embaixadores na Santa Sé, ele manifestou sua decepção com a crescente diplomacia baseada na força, promovida por indivíduos ou grupos aliados, que substitui o diálogo e ameaça a ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
“Hoje, a paz não é buscada como um presente divino, mas sim imposta pelas armas para consolidar o poder”, declarou o líder da Igreja católica, sem mencionar países específicos.
Além dos conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, essas palavras ocorrem num cenário internacional preocupado com a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da Groenlândia, ameaçando a integridade da Otan.
Leão XIV manifestou também sua profunda preocupação com a escalada das tensões no Mar do Caribe e na costa do Pacífico das Américas, mencionando a situação na Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro foi destituído e capturado pelos Estados Unidos.
Na quinta-feira (8), o presidente americano, Donald Trump, anunciou que, após ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico supostamente realizados por narcotraficantes, os EUA realizariam ofensivas “em terra” contra os cartéis.
O papa pediu respeito pela vontade do povo venezuelano e que se assegurem os direitos humanos e civis de todos.
Segundo Trump, Washington poderia manter o controle da Venezuela, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, por um longo período.
Os votos de Ano Novo ao corpo diplomático, celebrados no começo do mês, são um momento político de grande importância, permitindo ao papa avaliar os conflitos globais e reafirmar a posição da Santa Sé em questões sociais.
Referindo-se ao Oriente Médio, Leão XIV reiterou o apoio do Vaticano à criação de um Estado palestino e condenou o aumento da violência na Cisjordânia contra civis palestinos, que têm direito a viver em paz em sua terra natal.
Desde o ataque do movimento palestino Hamas em Israel, no dia 7 de outubro de 2023, a violência crescente de colonos israelenses contra civis palestinos na Cisjordânia intensificou-se, com ataques frequentes às comunidades locais.
Em assuntos sociais, o bispo de Roma condenou o aumento da dependência de drogas entre jovens, denunciando-a como um mal para a humanidade, e reafirmou a oposição da Igreja ao aborto, barriga de aluguel e eutanásia.
Ele também lamentou o crescimento da violação da liberdade religiosa no mundo, ressaltando que a perseguição aos cristãos é uma das crises de direitos humanos mais graves atualmente, afetando mais de 380 milhões de fiéis globalmente.
A Santa Sé mantém relações diplomáticas com 184 países, dos quais cerca de metade possuem embaixadas em Roma.

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