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Copape suspeita de espionagem contra concorrente na Faria Lima

Os principais alvos da grande operação deflagrada na quinta-feira (28/8), que investiga um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, são os proprietários da Copape. Eles são suspeitos de terem organizado um esquema de espionagem envolvendo campanas com policiais e grampos telefônicos para monitorar executivos da concorrente Raízen.
A suspeita surgiu a partir da análise de mensagens apreendidas em celulares de empresários ligados à Copape durante as investigações. Acusada de possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a empresa teve um crescimento explosivo em produção e distribuição de combustível durante a pandemia e disputa o mercado com grandes concorrentes, como a Raízen, do bilionário Rubens Ometto.
Em meio às apurações, a Copape teve sua licença cassada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A empresa tentou, sem sucesso, reverter esta decisão na Justiça de São Paulo.
No dia da operação (28/8), a Copape e seus donos foram alvo da Polícia Federal e de uma ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), acusados de sonegar R$ 7,6 bilhões e de um complexo esquema de lavagem de dinheiro envolvendo fundos geridos por grandes administradoras da Faria Lima.
Elo com policiais e esquema de espionagem
Renato Steinle de Camargo, sócio da Copape, é apontado pelo MPSP como ‘testa de ferro’ na empresa. Os verdadeiros donos seriam Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como ‘Beto Louco’.
Foi no celular de Renato que a polícia encontrou evidências das tratativas para a suposta espionagem contra adversários em uma operação de 2023. Segundo o MPSP, contrataram o detetive particular Renato de Almeida para monitorar Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen, e Antonio Ferreira Martins, vice-presidente jurídico da mesma empresa.
Constam nas investigações a contratação de campanas policiais para vigiar a rotina de Mussa e o uso de tecnologias policiais para grampear telefones. O investigador particular sugeriu também a realização de denúncias anônimas que atingiriam, inclusive, a esposa do CEO, que atua como juíza em Carapicuíba.
O custo estimado para esta trama foi de R$ 25 mil e há indícios de contatos com membros do Ministério Público. Mohamad Mourad possuía quase 70 contatos de policiais civis, militares, da PRF, da ANP e fiscais de renda em seu tablet, o que levanta a suspeita de informações internas sendo repassadas.
Suspeita de vazamentos
Na operação Cassiopeia (2023), Mourad, sua esposa e Renato Steinle fugiram e, posteriormente, descobriram comunicação entre eles na véspera da chegada da polícia para os mandados de busca e apreensão. Isso sugere vazamento das operações para a organização criminosa, reforçando sua capacidade de corromper agentes públicos.
No caso recente, poucas prisões foram cumpridas, o que também levanta suspeitas de vazamentos e corrupção a serem investigadas pela Polícia Federal.
Denúncias contra Mohamad Mourad, ‘Beto Louco’ e Renato Steinle incluem sonegação fiscal bilionária e lavagem de dinheiro. O dinheiro que alavancou a Copape e a distribuidora Aster teria origem ilícita, com operações fraudulentas e uso de ‘testas de ferro’ para administrar diversos postos de gasolina.
O grupo enfrenta ainda disputas judiciais com grandes nomes do setor, estando sob vigilância ativa do Instituto Combustível Legal (ICL), entidade presidida pelo ex-deputado federal Emerson Kapaz, que afirma publicamente a relação da Copape com o PCC.

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