Economia
Copom corta taxa Selic para 14,75% pela primeira vez em quase dois anos
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, pela primeira vez em quase dois anos, de 15% para 14,75%. Apesar da redução, o comitê recomendou cautela devido à instabilidade nos preços das commodities causada pelo conflito no Oriente Médio.
Essa diminuição era aguardada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desde seu retorno ao poder em 2023 tem enfatizado a importância de baixar a taxa para impulsionar a economia nacional.
A taxa Selic de 15%, uma das mais altas globalmente, estava vigente desde junho de 2025, após uma sequência de sete aumentos consecutivos. Nesta quarta-feira, houve uma queda de 0,25 ponto percentual.
Em comunicado, o Copom descreveu o cenário externo como “incerto” devido ao agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou o preço do petróleo depois que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.
Lula anunciou recentemente medidas para conter a alta dos preços dos combustíveis, incluindo a isenção temporária de impostos sobre o diesel, que é fundamental para o transporte de cargas no Brasil, impactando diretamente o custo dos alimentos.
“Estamos realizando um grande esforço econômico para proteger a população brasileira dos efeitos negativos das guerras”, afirmou Lula.
Lula também se prepara para concorrer à reeleição nas eleições presidenciais de outubro.
Na mesma data, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve suas taxas de juros estáveis pela segunda vez consecutiva, ressaltando a incerteza do impacto da guerra na maior economia mundial.
Desde maio de 2024, o Banco Central brasileiro não promovia cortes na Selic. Em sua última reunião, em janeiro, já havia sinalizado uma flexibilização dos juros a partir de março devido ao ciclo de estabilidade após alta entre setembro de 2024 e junho de 2025.
O recuo de 0,25 ponto percentual estava dentro das expectativas da maioria das instituições financeiras consultadas.
Taxas de juros elevadas encarecem o crédito e desestimulam o consumo e o investimento, o que tende a frear o ritmo de crescimento econômico.
Em fevereiro, o Brasil registrou uma inflação anual de 3,8%, em linha com a meta do Banco Central, resultado parcialmente influenciado pela redução prévia no preço da gasolina antes do conflito no Oriente Médio.

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