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CPI da Petrobras avalia se investigará denúncias contra Eletronuclear

O presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), afirmou nesta quarta-feira (29) que estuda a possibilidade de a comissão investigar denúncias contra a Eletronuclear. O diretor-presidente licenciado da empresa, Othon Luiz Pinheiro, foi preso nesta terça (28) na 16ª fase da Operação Lava Jato.
Segundo Motta, técnicos da CPI avaliam se o caso de Pinheiro foge ao escopo de investigação previsto no requerimento que criou a comissão parlamentar de inquérito.
“Estou com minha equipe estudando, já que nosso campo de investigação é apenas de casos inerentes à Petrobras. Então temos que saber a possibilidade de adentrar em outra área ou não. A CPI tem um fato e tem escopo determinado, então temos que seguir aquilo que está no seu escopo do requerimento de instauração da CPI inicial”, disse o deputado do PMDB.

O diretor-presidente licenciado da Eletronuclear é suspeito de receber R$ 4,5 milhões em propina. Também foi preso Flávio David Barra, presidente global da AG Energia, ligada ao grupo Andrade Gutierrez.
O foco das investigações desta fase da Operação Lava Jato, segundo a PF, são contratos firmados por empresas já mencionadas na Operação Lava Jato com a Eletronuclear, que tem economia mista e cujo controle acionário é da União. A empresa foi criada em 1997 para operar e construir usinas termonucleares e responde hoje pela geração de cerca de 3% da energia elétrica consumida no país.
Pedro Barusco
Hugo Motta afirmou ainda que vai pedir ao presidente Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que reveja a decisão do ministro Celso de Mello de autorizar o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco a não participar de duas acareações marcadas pela comissão. Lewandowski está de plantão no recesso do Judiciário e cabe a ele, portanto, receber e decidir demandas feitas até a retomada dos trabalhos.
“Já solicitamos audiência com o ministro Ricardo Lewandowski. Queremos levar alguns fatos que divergem do motivo que ele alegou para não comparecer à CPI. Vamos levar formalmente um requerimento, um ofício, pedindo essa nova análise, para que essa decisão seja revista”, disse o parlamentar do PMDB.
A CPI pretendia confrontar as versões de Barusco sobre o esquema de corrupção na Petrobras com as do ex-diretor de Serviços Renato Duque e do tesoureiro licenciado do PT, João Vaccari Neto. As duas acareações estavam marcadas para os dias 8 e 9 de julho, mas o ex-gerente pediu ao STF para não participar. Ele alegou estar com a saúde muito “fragilizada”, devido ao estágio avançado do câncer ósseo que enfrenta.
Celso de Mello atendeu ao pedido e autorizou que ele não comparecesse à comissão parlamentar de inquérito. Para Hugo Motta, evidências demonstram que Barusco não falou a verdade sobre o suposto quadro grave de saúde.
“Tivemos vídeos de uma semana antes que mostram Pedro Barusco depondo com tranquilidade em Curitiba. Uma semana depois, surgiram vídeos mostrando uma boa qualidade de saúde dele. E, para completar, uma foto divulgada numa revista, que precisa ser averiguada, do senhor Pedro Barusco fumando charuto e tomando cerveja à beira mar”, disse Motta.
Se Lewandowski não decidir sobre o pedido esta semana, caberá a Celso de Mello decidir se irá rever ou não a própria decisão. Barusco compareceu à CPI da Petrobras em março deste ano. Em sete horas de depoimento, ele relatou ter repassado US$ 300 mil à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, o que o PT nega, e disse ter acumulado, desde 1997, US$ 97 milhões em propina – quantia a ser devolvida aos cofres públicos.
O ex-gerente era subordinado à Diretoria de Serviços, comandada na época por Renato Duque, que nega qualquer envolvimento no esquema de corrupção. João Vaccari Neto também nega uso de dinheiro de propina nas campanhas petistas. A intenção da CPI é colocar Barusco frente a frente com os dois para confrontar as versões.
“A CPI não pode admitir que um cidadão que é importante na nossa investigação use instrumentos que não são verdadeiros para deixar de comparecer e não colaborar com os questionamentos dos parlamentares”, disse Hugo Motta.
Cronograma
Na próxima terça (4), a CPI da Petrobras ouvirá os presidentes da Samsung e Mitsui, empresas acusadas de pagar propina em contratos com a estatal. Na quinta (6), está prevista acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, ambos firmaram acordo de delação premiada com o Ministério Público e confirmam a existência do esquema de corrupção.
O cronograma das demais reuniões da comissão em agosto ainda serão definidas. “Vamos anunciar o cronograma até o final da semana. Acredito que até o dia de amanhã teremos o cronograma de agosto. Vamos dar seguimento a uma quantidade enorme de requerimentos que pedem convocações”, informou Hugo Motta.

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