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CPJ: 2025 tem recorde de jornalistas mortos, maioria em regiões sob controle israelense
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou nesta quarta-feira (25) que, em 2025, o número de jornalistas e profissionais de mídia mortos ao redor do mundo atingiu um recorde histórico de 129 casos, com a maior parte dos incidentes ligados a Israel.
De acordo com a organização americana, o Exército israelense foi responsável pelo maior número de assassinatos direcionados contra membros da imprensa, a maioria deles jornalistas palestinos em Gaza.
Após registrar 124 mortes em 2024, o ano de 2025 consolidou o segundo ano consecutivo com o maior índice de fatalidades em três décadas, desde que o CPJ iniciou seus registros.
Além do conflito em Gaza, onde ocorreram 86 mortes, outras áreas perigosas para os profissionais da imprensa foram a Ucrânia, com quatro vítimas, e o Sudão, com nove.
“Um dos aspectos mais notáveis dos últimos tempos é o crescimento no uso de drones”, afirmou à AFP Carlos Martínez de la Serna, diretor de projetos da entidade, destacando o aumento de 39 incidentes registrados contra apenas dois em 2023.
Além dos conflitos armados, o crime organizado também mostrou ser uma grande ameaça para os jornalistas. No México, seis profissionais da imprensa foram assassinados em 2025, enquanto casos também foram registrados na Índia e no Peru.
Na Arábia Saudita, o famoso colunista Turki al Jaser foi executado em junho após ser condenado por acusações consideradas pelo CPJ como infundadas e usadas para silenciar jornalistas. Este foi o primeiro registro de assassinato de um jornalista saudita desde 2018, ano da morte de Jamal Khashoggi.
“O número recorde de assassinatos ocorre em um momento crucial, quando o acesso à informação é fundamental”, declarou Jodie Ginsberg, diretora-executiva do CPJ.
Ela ressaltou que os ataques contra a imprensa refletem violações de outras liberdades e enfatizou a necessidade urgente de ações para impedir essas mortes e responsabilizar os culpados. “Estamos todos vulneráveis quando jornalistas são mortos por cobrir notícias essenciais”, completou.
Fundado em 1981 em Nova York para proteger a liberdade de imprensa e os jornalistas globalmente, o CPJ é sustentado por recursos privados e fundações, sendo liderado por um conselho composto por membros da mídia e da sociedade civil.

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