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Crescem vendas de imóveis no Recife e custo da construção desacelera
A cidade do Recife apresenta atualmente um cenário incomum no mercado imobiliário brasileiro, com uma desaceleração nos custos de construção, enquanto a demanda por imóveis continua a crescer.
Dados recentes da Trinus, plataforma especializada em soluções financeiras e governança imobiliária, baseados no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontam uma redução na velocidade de aumento dos custos. Enquanto em janeiro houve uma alta de 0,63%, fevereiro teve aumento menor de 0,34%. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 5,83%, comparado aos 7,18% do ano anterior.
Embora esses números possam sugerir alívio para o setor, especialistas recomendam cautela. Ariany Arruda, líder de Engenharia da Trinus, destaca que o índice geral pode mascarar variações importantes em diferentes componentes e fases das obras. Por exemplo, entre janeiro e fevereiro, os custos de materiais de instalação passaram de queda para alta, indicando oscilações que podem impactar o orçamento sem serem imediatamente perceptíveis.
Outro fator que pressiona os custos é a mão de obra especializada, com aumentos significativos registrados para profissionais como armadores, encanadores, pedreiros e eletricistas, refletindo a dinâmica de mercados imobiliários em expansão.
Custos mais controlados em Recife
Enquanto a média nacional aponta para aumento nos custos de construção, Recife apresenta um comportamento mais equilibrado. Em meses como outubro e dezembro, a cidade foi uma das poucas que desacelerou seus custos, e essa tendência continuou em fevereiro de 2026.
Ariany sugere que essa estabilidade pode refletir uma cadeia produtiva local capaz de absorver o aumento da demanda sem gerar os mesmos gargalos observados em cidades como São Paulo, onde o aumento acumulado chega a 7,01%.
Isso coloca o Recife numa posição vantajosa para incorporadoras que atuam em várias regiões, oferecendo maior proteção à margem operacional.
Mercado imobiliário em alta
Os números corroboram esse cenário positivo. Em 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) da Região Metropolitana do Recife atingiu cerca de R$ 10,1 bilhões, representando crescimento de 53% em relação a 2024, com a comercialização de 12.061 unidades.
O volume vendido quase dobrou em relação ao total lançado, reduzindo o tempo para esgotar o estoque para apenas seis meses, o menor registro da região.
O mercado também se revela polarizado: o programa Minha Casa Minha Vida cresceu 40%, passando a representar mais da metade das transações, enquanto imóveis de alto padrão cresceram 647%, elevando sua participação para 17,2% do total.
Geograficamente, bairros como Imbiribeira e Vasco da Gama concentram a maior parte dos lançamentos recentes, expandindo o mercado para além das áreas tradicionais como Boa Viagem.
Silvia de Castro, executiva regional de Novos Negócios da Trinus para as regiões Norte e Nordeste, comenta que o Recife vive uma situação rara, com demanda acima da oferta, estoque no menor nível histórico e valorização de propriedades em níveis elevados. O mercado de luxo local ocupa a terceira posição nacional em demanda, atrás apenas de São Paulo e Goiânia.
Ela ressalta que investidores que entenderem essa fase e atuarem com o produto certo estarão em um dos mercados com melhor relação entre absorção e risco no Brasil.
Oportunidade e desafios
A coexistência de custos controlados, demanda ativa e estoque baixo cria uma oportunidade estratégica para lançamentos em 2026, conforme a Trinus.
Contudo, o mercado apresenta um alerta: 87,7% das unidades disponíveis foram lançadas entre 2023 e 2025, indicando possível desequilíbrio entre oferta e demanda.
Silvia conclui que o risco principal não está no índice de custo da construção, mas na velocidade com que o mercado responde. Incorporadoras que conseguirem lançar novos projetos, especialmente nos segmentos popular e de alto padrão em áreas de expansão, encontrarão demanda reprimida significativa. A janela de oportunidade existe, mas é limitada, e planejamento estratégico e acesso a crédito são decisivos para o sucesso.


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