Economia
Crise atinge produtores e criadores em todas as regiões do estado
Representantes dos produtores de cana-de-açúcar da Zona da Mata de Pernambuco e dos criadores do Sertão e do Agreste se reuniram, em caráter emergencial, com o governo do estado para alertar sobre as dificuldades enfrentadas por esses setores e buscar medidas que possam diminuir os impactos econômicos e sociais dessa situação.
Gregório Maranhão, consultor da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), explica que a crise no setor sucroalcooleiro afeta 50 municípios da Zona da Mata, devido a fatores climáticos e econômicos. Já no Sertão e no Agreste, a seca prejudica criadores de caprinos e bovinos, provocando escassez de alimentos para os animais.
“Estamos lidando com um comprometimento pluviométrico significativo na Zona da Mata, que prejudica a plantação de cana, além de dificuldades econômicas, como o acesso limitado ao crédito agrícola e a redução da cota preferencial de exportação de açúcar para os Estados Unidos devido à tarifa americana. Só entre os fornecedores de cana, o prejuízo passa de R$ 500 milhões”, detalhou.
Com essa situação, o setor não consegue adquirir fertilizantes para as plantações, e os produtores solicitam que o governo subsidie esses insumos. Para os animais, o pedido é que o estado adquira alimentos como o bagaço de cana para minimizar os efeitos da seca.
Reuniões
Quinze dias atrás, os produtores de cana tiveram uma primeira audiência com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, no Palácio do Campo das Princesas. Esta semana, em uma nova reunião, estiveram presentes a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), o Sindicato dos Cultivadores de Cana, representações dos trabalhadores canavieiros e o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE).
Os produtores também contaram com o apoio dos deputados estaduais France Hacker, Jarbas Vasconcelos Filho, Antônio Moraes, Henrique Queiroz Filho e Socorro Pimentel.
Posteriormente, no período da tarde, os produtores encontraram-se com a equipe do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA). O programa Terra Plantar, do IPA, será o meio pelo qual o governo pretende realizar a compra dos insumos. Está prevista para a próxima segunda-feira (9) uma reunião entre fornecedores e representantes da Assembleia Legislativa para tratar do assunto, com outros encontros agendados.
Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP, avaliou que a última reunião foi produtiva e ressaltou a necessidade de apoio da Assembleia Legislativa para agilizar um projeto que inclui socorro aos pecuaristas do Agreste e do Sertão.
Importância
Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE, ressaltou que na agricultura cada processo tem seu tempo certo.
“Essas medidas emergenciais precisam ocorrer no momento do início da adubação para garantir as safras e proteger a safra atual 2025/2026, que está quase na entressafra, além de assegurar a safra de 2026/2027, tentando preservar esse potencial agrícola de forma urgente”, destacou.
O secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, explicou que existe um entrave operacional para a entrega dos insumos devido à não aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o que impede o remanejamento do orçamento pelo governo estadual.
“Trata-se de uma demanda emergencial que necessita remanejamento orçamentário. Sem aprovação da LOA, não é possível realizar esse remanejamento. Confio na sensibilidade da Assembleia para que o programa Terra Plantar possa ser implementado, criando um suporte emergencial para um período de 90 dias”, afirmou.

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