Economia
Crise de energia dificulta o dia a dia em Cuba
A falta de transporte público, o racionamento de combustível, o trabalho remoto e as aulas online começaram a ser implementados em Cuba nesta segunda-feira (9) como medidas emergenciais para enfrentar a crise energética que atinge a população local, agravada pela pressão dos Estados Unidos.
Em Havana, o movimento nas ruas estava menor que o normal e os moradores, que já enfrentam apagões diários, escassez de produtos e alta inflação, demonstram preocupação.
“São medidas para resistir e evitar o colapso do país, mas geram muita insegurança”, declarou à AFP Rosa Ramos.
Essa enfermeira de 37 anos esperava por mais de uma hora por um táxi ou ônibus para ir ao trabalho. Motoristas de táxis privados relataram que as tarifas aumentaram bruscamente da noite para o dia.
Para economizar energia, o governo comunista anunciou restrição na venda de combustível, diminuição de viagens interestaduais por ônibus e trens, suspensão temporária de algumas empresas estatais, teletrabalho e redução da semana laboral para quatro dias (de segunda a quinta-feira).
Contudo, as medidas não solucionam totalmente os problemas, segundo Clara Rumbau, aposentada de 65 anos, que teve que caminhar mais de 10 km para resolver um assunto pessoal.
Situação crítica
A ilha, que tem 9,6 milhões de habitantes e está sob embargo comercial dos EUA desde 1962, enfrenta uma crise econômica grave há anos.
Recentemente, também parou de receber petróleo da Venezuela — cujo líder, Nicolás Maduro, foi deposto em janeiro durante uma operação militar dos EUA — e o governo Trump ameaçou aplicar tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba.
Especialistas em transporte marítimo afirmam que há semanas não entrou combustível ou petroleiros estrangeiros no país.
O México, que anteriormente fornecia petróleo, negocia meios para continuar abastecendo sem sofrer sanções de seu maior parceiro comercial. No domingo, enviou dois navios com mais de 800 toneladas de ajuda humanitária.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, chamou de “muito injusto” ameaças de tarifas dos EUA a países que abastecem Cuba. Moscou também criticou as sanções americanas como “medidas sufocantes”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou que a situação é crítica e que estão estudando soluções com cubanos.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, afirmou que Washington busca dobrar a vontade política dos cubanos e que o cenário exigirá grandes sacrifícios, postagem feita na rede X.
O vice-primeiro-ministro Óscar Pérez-Oliva Fraga disse que as medidas emergenciais visam proteger produção de alimentos, eletricidade e atividades que geram receitas em especial o setor do tabaco.
Fechamento de hotéis e impacto no turismo
O turismo, já afetado por uma crise econômica de seis anos, será duramente atingido, o que reduzirá ainda mais as receitas em divisas.
Autoridades comunicaram que o fornecimento de combustível ficará congelado por um mês a partir da meia-noite de segunda-feira. A Air Canada anunciou a suspensão dos voos para Cuba e enviará aeronaves vazias para retirar cerca de 3 mil passageiros do país.
Companhias como Air France, Iberia e Air Europa farão escalas para reabastecimento em outros pontos do Caribe.
O governo também anunciou o fechamento de hotéis com baixa ocupação e a realocação dos turistas. Uma funcionária do setor, que preferiu permanecer anônima, informou que hotéis estão fechando em Varadero e outras regiões.
Universidades adotaram ensino remoto ou semipresencial.
Maura Linsay Pérez, estudante de 18 anos da Universidade de Havana, expressou preocupação sobre a insegurança nas condições para o seu semestre acadêmico.

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