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Crise no chavismo com queda de Nicolás Maduro
A deposição de Nicolás Maduro desafia as facções que dominam a Venezuela há quase três décadas, colocando em xeque o equilíbrio dentro do chamado “clube dos cinco”.
Maduro esteve no comando desde 2013 até ser capturado por forças dos Estados Unidos no último sábado (3). Seu governo era sustentado pela aprovação de Hugo Chávez, falecido em 2013, que o escolheu como herdeiro político. Ao seu lado, sua esposa, Cilia Flores, também foi detida.
A presidência interina está nas mãos de Delcy Rodríguez, que, junto com seu irmão Jorge Rodríguez, figura entre as lideranças centrais, rivalizando com o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
Uma fonte diplomática em Caracas descreve o grupo dominante como um “clube de cinco” membros com voz no governo, onde Maduro era o elemento de equilíbrio. Sua ausência agora abre um cenário de incertezas.
A imagem de Maduro algemado e com os olhos vendados viralizou mundialmente, lembrando momentos históricos de capturas de líderes controversos. Recentemente, ele tinha uma postura otimista, chegando a dizer “Ninguém me para!” em comícios.
Um líder habilidoso, soube eliminar opositores internos e controlar a resistência política externa, consolidando um culto à sua figura que por vezes ultrapassava a atenção dada a Chávez, inclusive com representações culturais e produtos inspirados em sua imagem.
O apoio das Forças Armadas, sob comando do general Vladimir Padrino, foi fundamental para sua manutenção no poder.
Até o momento, o círculo governante mantém uma fachada de unidade, focado em garantir a continuidade do regime, segundo analistas políticos.
Os irmãos Rodríguez
Delcy e Jorge Rodríguez sempre estiveram próximos de Maduro e desempenham papéis estratégicos no controle da economia, da indústria petrolífera e do Parlamento.
Conhecidos por discursos agressivos, eles demonstram habilidade política e protagonismo em negociações internacionais e processos internos, incluindo purgas dentro do governo.
Especialistas reconhecem que participaram ativamente das movimentações que consolidaram o poder de Maduro.
Diosdado Cabello: O poderoso policial
Diosdado Cabello é uma figura de grande influência e temor na Venezuela. Como ministro do Interior, esteve envolvido na repressão a protestos violentos após a contestada reeleição de Maduro.
Considerado parte da ala mais radical do chavismo, sua posição muitas vezes contrasta com a postura pragmática dos irmãos Rodríguez, apesar de ambos negarem conflito.
Já ocupou interinamente a presidência durante uma crise em 2002 e, embora existam especulações sobre tentativas de tomar o poder da vice-presidência, ele se exporia ao risco de extradição para os EUA, que oferecem recompensa de 25 milhões de dólares por sua captura.
Com uma carreira militar, Cabello acompanhou Chávez na tentativa de golpe de 1992 e atualmente é a segunda figura no Partido Socialista, ficando atrás apenas de Maduro.

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