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Crise política na Colômbia: ameaças a Petro e sequestro de senadora indígena
Uma senadora indígena foi mantida sob cativeiro por algumas horas nesta terça-feira (10) em uma área controlada por guerrilheiros na Colômbia, enquanto o presidente Gustavo Petro denunciou um complô para assassiná-lo, marcando um aumento da violência política em meio à época eleitoral.
A senadora Aida Quilcué, de 53 anos, foi capturada juntamente com seus dois escoltas no departamento do Cauca, uma região conflitiva e produtora de coca administrada por dissidentes das Farc que se desobedeceram ao acordo de paz de 2016.
Um grupo indígena conseguiu libertá-la rapidamente, conforme informado por sua equipe na rede X, em um país onde as autoridades originárias muitas vezes enfrentam grupos rebeldes. O veículo em que ela viajava foi abandonado em uma estrada.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, confirmou que a senadora e seus seguranças estão em segurança.
O Exército divulgou imagens da senadora Quilcué entrando em um tanque blindado acompanhado por militares da equipe antissequestro.
“Já estou bem”, disse ela emocionada em um vídeo divulgado pelo ministro Sánchez.
A poucos meses das eleições legislativas e presidenciais, marcadas respectivamente para 8 de março e 31 de maio, aumentam as ameaças contra políticos, candidatos e líderes sociais.
Mais cedo, o presidente relatou ter escapado de uma tentativa de assassinato enquanto voava de helicóptero, fato que o impediu de pousar no departamento caribenho de Córdoba na noite de segunda-feira.
“Passei por momentos difíceis por quatro horas e cheguei a um lugar não planejado, escapando de uma tentativa de assassinato”, declarou o mandatário durante uma reunião ministerial transmitida pela televisão.
Petro tem afirmado há meses que há um plano do narcotráfico para eliminá-lo.
Pressionado por Washington e com seis meses restantes em seu mandato, Petro intensificou a ação contra cartéis e guerrilheiros, como Iván Mordisco, o criminoso mais procurado da Colômbia e líder da dissidência mais influente das Farc.
Um sinal de alerta
O povo indígena nasa, do qual faz parte Quilcué, enfrenta séria ameaça de grupos ilegais.
A representante do Pacto Histórico já havia denunciado uma tentativa de ataque contra si em sua candidatura ao Senado em 2022.
Conhecida por usar lenços e diademas nas cores vermelha e verde do povo nasa, Quilcué é uma líder social destacada, defensora dos direitos indígenas, da autonomia territorial e da preservação cultural.
Petro declarou: “Se ela não for libertada, isso será um grito de guerra contra todos os indígenas do Cauca e do país”. E acrescentou: “Espero que a situação seja resolvida rapidamente, porque, caso contrário, terá sido ultrapassada uma linha vermelha”.
Enquanto o governo aplica uma política mais rigorosa contra os grupos armados, o maior cartel nacional, conhecido como Clan do Golfo, suspendeu recentemente os diálogos de paz com o governo.
O acordo de paz de 2016 com as antigas Farc trouxe um alívio temporário da violência política, mas as próximas eleições podem ser as mais violentas desde então.
O medo de um assassinato político
Cem municípios colombianos estão em risco de violência eleitoral e da influência de grupos armados nas votações legislativas e presidenciais de 2026, segundo a Missão de Observação Eleitoral (MOE).
Na semana passada, um comboio de veículos de um senador foi atacado em Arauca, região próxima à Venezuela. O político não estava no veículo, mas dois de seus seguranças foram mortos.
O assassinato do candidato presidencial e senador de direita Miguel Uribe, em agosto após um ataque a tiros, reacendeu o temor da violência vinculada ao narcotráfico que marcou as décadas de 1980 e 1990.
Durante o governo de Petro, houve pelo menos quatro ataques contra senadores, incluindo contra Miguel Uribe.
Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, denunciou em 2024 outra tentativa de assassinato que o impediu de participar do desfile militar em 20 de julho do mesmo ano.
A Colômbia é um dos países mais perigosos para defensores dos direitos humanos, ambientais e líderes sociais. Também possui uma longa lista de líderes de esquerda assassinados, incluindo candidatos presidenciais, devido às alianças entre narcotraficantes, grupos paramilitares e agentes estatais.

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