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Cristina Kirchner teme prisão em julgamento por corrupção na Argentina

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Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina, expressou sua apreensão durante uma audiência na terça-feira (17), afirmando que “posso morrer presa com este Poder Judiciário”. Ela está atualmente cumprindo prisão domiciliar devido a uma condenação por corrupção.

Aos 73 anos, Cristina Kirchner cumpre uma pena de seis anos e utiliza tornozeleira eletrônica desde junho. Ela se defende em um vasto processo judicial que a acusa de participar de um esquema de suborno envolvendo políticos e empresários durante os anos 2000.

Durante o julgamento em Buenos Aires, a ex-presidente qualificou os processos como “práticas mafiosas entre juízes e promotores”, destinadas a barrar sua influência política, mas afirmou que acredita que em algum momento essa situação terá um fim.

“As pessoas precisam ter uma vida digna, não de luxo, mas a certeza de poder pagar aluguel e despesas”, declarou no tribunal, que realiza o megajulgamento presencialmente pela primeira vez desde que começou em novembro, anteriormente feito por videoconferência.

Ela, junto com outros 85 ex-funcionários e empresários, é acusada de integrar uma “associação criminosa” que teria recebido propinas por contratos de obras públicas entre 2003 e 2015.

A acusação aponta Cristina Kirchner como a principal beneficiária deste esquema, iniciado no governo de seu marido e predecessor, Néstor Kirchner. Com ironia, afirmou: “Agora sou considerada a chefe de uma associação criminosa com todos os empresários da Argentina. Sério?” Ela ressaltou que suas críticas e perseguições são alimentadas pela história política recente e pediu coerência nas acusações.

Cristina também acusou o presidente ultraliberal Javier Milei de desrespeitar a Constituição ao declarar que ela permaneceria presa.

Na audiência, recusou-se a responder perguntas, classificando o processo como um “circo”. Centenas de seus apoiadores se reuniram em frente à sua residência com bandeiras argentinas, mostrando apoio.

A defesa tentou anular o processo em vários pedidos, todos rejeitados. A acusação se baseia principalmente em anotações manuscritas atribuídas a um ex-motorista do Ministério do Planejamento, que a defesa considera falsas.

Se considerada culpada, Cristina Kirchner pode ser sentenciada a até 10 anos de prisão, com possibilidade de cumprir pena em regime domiciliar. O julgamento pode se estender até além de 2026, com mais de cem testemunhas previstas para depor.

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