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Cuba libera investimentos para emigrantes e residentes nos EUA
Cubanos que residem fora do país e seus descendentes agora podem investir e abrir negócios na ilha, anunciou nesta segunda-feira (16) o governo cubano, em um momento em que a economia local está quase parada devido ao bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.
Oscar Pérez-Oliva, ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, disse em entrevista à NBC que “Cuba está aberta para manter relações comerciais contínuas com empresas americanas” e também com cubanos nos EUA e seus descendentes.
O ministro explicou que os emigrantes poderão estabelecer seus próprios empreendimentos na ilha, uma antiga demanda do setor da diáspora.
O anúncio foi feito em meio a uma crise energética que paralisa grande parte da economia cubana. Desde 1962, sob embargo americano, o país está enfrentando agravamento na escassez de combustível após os EUA cortarem o fornecimento de petróleo da Venezuela, principal fornecedor de Cuba, e ameaçar sancionar países que vendam combustível à ilha.
A ilha de 9,6 milhões de habitantes sofreu um apagão geral, o sexto em um ano e meio. Recentemente, dois terços do país, incluindo Havana, ficaram sem energia devido a problemas na principal termelétrica e à escassez de combustível.
A crise energética levou o governo a adotar um plano de emergência, incluindo racionamento severo de gasolina, afetando todos os setores.
“O embargo limita nosso acesso ao financiamento, tecnologia e mercados e tem como objetivo principal negar combustível ao nosso país”, afirmou o ministro.
Na última sexta-feira, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel confirmou que Havana está em diálogo com os EUA, onde o presidente Donald Trump afirmou que Cuba deseja firmar um acordo com Washington.
Grandes investimentos e modernização
Oscar Pérez-Oliva ressaltou que a abertura não se limita a pequenos negócios, mas também inclui “grandes investimentos”, especialmente em infraestrutura. O objetivo é revitalizar setores chave, como turismo e mineração, além de modernizar a rede elétrica que sofre com falhas e apagões.
Em Miami, a principal cidade dos exilados anticastristas, alguns cubanos discordaram da medida. “Queremos investir, mas apenas quando houver mudanças econômicas e políticas”, disse Ramón Fernández, 60 anos.
Conchis Reyes, também 60, disse que não acredita que cubanos no exílio investirão em uma Cuba oprimida por um regime que tirou tudo deles.
Até recentemente, cerca de 80% da economia era estatal. A crise levou a uma maior abertura ao setor privado.
Em 2021, pequenas e médias empresas privadas de até 100 empregados foram autorizadas novamente, após quase seis décadas proibidas.
Em 2025, cerca de 10 mil empresas privadas representaram 15% do PIB e 30% do emprego ativo. As vendas do setor privado superaram as do setor público, chegando a 55% do comércio total.
Recentemente, o governo autorizou a primeira associação entre empresas públicas e privadas em quase 60 anos. Antes, as empresas mistas eram entre o Estado cubano e companhias estrangeiras não americanas, já que o embargo impede empresários americanos de atuar em Cuba.
Segundo Washington, Cuba, a apenas 150 km da Flórida, é vista como uma “ameaça excepcional” por suas relações estreitas com Rússia, China e Irã.

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