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Cubanos cansados da crise buscam diálogo frente às ameaças de Trump

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Os cubanos, cansados das dificuldades e dos longos apagões, mostram preocupação com a ameaça de Donald Trump de punir países que vendam petróleo a Cuba e esperam uma solução negociada para evitar a piora da situação.

“Acredito que o melhor é negociar para que se alcance um acordo que beneficie a todos e evite maiores prejuízos”, diz à AFP a farmacêutica Vivían Valdés, de 60 anos.

Trump, que cortou o fornecimento de petróleo e a ajuda da Venezuela para Cuba, assinou uma ordem executiva ameaçando impor tarifas aos países que vendam petróleo à ilha, alegando que ela representa uma “ameaça excepcional” à segurança dos EUA.

Valdés, emocionada, relata a dificuldade de comprar medicamentos para sua mãe com Alzheimer: “Se não houver negociação, a situação vai piorar. O povo já sofre muito”.

A ameaça preocupou os cubanos, que têm enfrentado apagões que ultrapassam 10 horas diárias em Havana, além da dificuldade em adquirir combustível.

As filas nos postos de gasolina que vendem combustível em dólares chegam a várias quadras.

Cuba sofre uma grave crise econômica há seis anos, com escassez de produtos e apagões prolongados, resultado das sanções americanas, baixa produtividade econômica e queda do turismo.

Nos últimos cinco anos, o PIB caiu 11% e o governo luta para manter serviços básicos como eletricidade, saúde e subsídios.

O universitário Jorge Grosso, 23 anos, também apoia o diálogo com Washington: “É preciso negociar as condições, pois estamos sendo sufocados”. Ele enfrentou quase 24 horas na fila para comprar gasolina e teme que o corte do petróleo agrave a crise.

Desde o golpe na Venezuela, aliado principal de Cuba, Trump intensificou as ameaças e pediu a Havana que negocie ou lide com consequências não detalhadas.

Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e secretário de Estado, defende a mudança de regime em Cuba.

Miguel Díaz-Canel, presidente cubano, negou diálogo com os EUA, mas recentemente mostrou disposição para conversar sem abrir mão de princípios políticos.

Cuba teve uma breve melhora nas relações durante o segundo mandato de Barack Obama, mas isso acabou com a chegada de Trump, que reforçou o embargo de 1962.

Nem todos apoiam o diálogo. Rolando González, 81 anos, considera Trump mentalmente instável e não acredita que Cuba seja uma ameaça para os EUA.

Outros se perguntam sobre o apoio da China e Rússia, aliados tradicionais da ilha.

“Eles ajudam diplomáticamente, mas palavras não resolvem problemas”, diz o engenheiro Jorge Martínez, 60 anos, que vê as posturas de Pequim e Moscou como cautelosas frente às ameaças de Trump.

“Evitam conflitos com Trump“, conclui.

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